A candidata ao Senado por São Paulo, Soninha Francine (Cidadania), utilizou sua participação no programa Café com a Gazeta do Povo, nesta sexta-feira (4), para endurecer o tom contra o Supremo Tribunal Federal (STF). Em meio à série de entrevistas promovida pelo veículo para as eleições de 2026, a ex-vereadora e comunicadora defendeu abertamente a abertura de processos de impeachment contra ministros da Corte, alegando que o tribunal tem extrapolado suas prerrogativas constitucionais.
Críticas à atuação do Judiciário e transparência
Durante a sabatina, Soninha afirmou que o comportamento de integrantes do STF exige uma reação imediata do Congresso Nacional. A candidata questionou a falta de clareza sobre o financiamento de viagens internacionais de ministros para eventos e simpósios, argumentando que a proximidade entre o setor privado e o poder público pode gerar relações indevidas. Para ela, a discussão sobre um código de ética para a Corte é urgente, embora enfrente resistência interna de magistrados com condutas questionáveis.
Ao ser questionada sobre nomes específicos, a candidata mencionou que o debate no Legislativo deveria avançar, em especial, sobre a atuação de Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. “Os absurdos se sucedem, não podemos perder a capacidade de nos escandalizar. Temos motivos mais do que suficientes para abrir processos de impeachment”, declarou.
Revisão das regras de suplência no Senado
Além da pauta judiciária, Soninha Francine propôs uma reforma no sistema de suplência para o Senado Federal. A candidata criticou o modelo atual, no qual suplentes assumem mandatos sem terem passado pelo crivo direto das urnas, citando como exemplo o caso do empresário Alexandre Giordano, que ocupou a vaga após o falecimento do senador Major Olímpio em 2021. Para a postulante, o sistema atual fragiliza a representatividade e impede que o eleitor tenha clareza sobre quem, de fato, ocupará a cadeira em caso de vacância.
Posicionamentos sobre temas sociais e polarização
No campo dos costumes e políticas públicas, Soninha defendeu uma abordagem técnica para o uso da cannabis medicinal, citando o exemplo de Israel no desenvolvimento de terapias para doenças como Alzheimer e autismo. Contudo, ela ponderou que o Brasil ainda não possui maturidade social para debater a legalização do uso recreativo da substância. Sobre o aborto, a candidata rejeitou a polarização entre proibição total e acesso irrestrito, defendendo que o Estado ofereça suporte a mulheres em situações de vulnerabilidade e violência sexual.
Ao encerrar sua participação, Soninha criticou a polarização política brasileira, classificando as gestões de Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Bolsonaro como detentoras de discursos populistas e, por vezes, machistas. A candidata reforçou que sua trajetória política, marcada por mudanças de posicionamento, permite que ela dialogue com diferentes espectros ideológicos, priorizando a coerência interna em detrimento de bandeiras radicais que, segundo ela, não se sustentam na prática administrativa.
O Diário Global segue acompanhando de perto o desenrolar das campanhas eleitorais para 2026. Continue conosco para acessar análises aprofundadas, entrevistas exclusivas e o contexto completo dos bastidores da política nacional, com o compromisso de levar até você uma informação plural, checada e de qualidade.

