O segundo dia do Rock in Rio 2026 foi marcado por uma montanha-russa de emoções na Cidade do Rock. Com o foco voltado para o peso do metal e suas vertentes contemporâneas, o Palco Mundo testemunhou contrastes acentuados entre as atrações principais. Enquanto a energia contagiante do Bring Me The Horizon elevou o patamar da noite, o Avenged Sevenfold, escalado como headliner, entregou uma performance que dividiu opiniões e foi considerada morna por parte do público presente.
A programação do dia não se limitou aos grandes nomes internacionais. O evento celebrou a trajetória de gigantes do metal nacional com a despedida do Sepultura dos palcos do festival, além de abrir espaço para a nova geração e nomes em ascensão, como Poppy, Black Pantera, Nervosa e Day Limns. A diversidade de estilos no Palco Mundo consolidou a proposta do festival em equilibrar o legado do gênero com as novas tendências da música pesada global.
Energia e conexão do Bring Me The Horizon no Palco Mundo
Em sua estreia no Rock in Rio, o Bring Me The Horizon provou por que é um dos nomes mais relevantes do rock moderno. Com 22 anos de estrada, a banda britânica não apenas executou um setlist técnico e preciso, mas estabeleceu uma conexão visceral com os fãs brasileiros. O vocalista Oli Sykes foi o maestro dessa interação, arriscando frases em português e demonstrando um carisma que contagiou a plateia.
Um dos pontos altos da apresentação ocorreu quando Sykes convidou um fã, que vestia a camisa da Seleção Brasileira, para subir ao palco e dividir os vocais em “Pray for Plagues”. O momento, que viralizou rapidamente nas redes sociais, sublinhou a capacidade da banda em transformar um show de grande escala em uma experiência íntima e memorável. Hits como “Can You Feel My Heart” e “Throne” garantiram a catarse coletiva e confirmaram o status do grupo como um dos pilares da música atual.
Avenged Sevenfold enfrenta críticas em retorno ao festival
O Avenged Sevenfold retornou ao posto de headliner do Rock in Rio, mas a recepção desta vez foi distinta de suas passagens anteriores. Com um atraso de 30 minutos para o início do show, a banda abriu o repertório com “Nightmare”, tentando imprimir um ritmo frenético desde o primeiro acorde. Apesar da presença de palco de M. Shadows, que chegou a descer para interagir com a grade, a performance foi sentida como menos impactante por grande parte dos espectadores.
Considerando que esta foi a terceira vinda da banda ao Brasil em apenas dois anos, a expectativa por uma entrega diferenciada era alta. Embora o setlist tenha percorrido clássicos como “Afterlife” e “Hail to the King”, além de momentos de virtuosismo instrumental, a energia geral do show não atingiu o ápice esperado para o encerramento da noite. A banda encerrou a apresentação com o bis de “A Little Piece of Heaven” e “Cosmic”, deixando um saldo de desempenho técnico, porém aquém da intensidade histórica do festival.
Despedida histórica do Sepultura
O Sepultura protagonizou um momento de profunda carga emocional ao realizar sua última apresentação na história do Rock in Rio. Em um gesto de respeito à sua própria cronologia, a banda dedicou o show exclusivamente à fase iniciada em 1998, sob o comando do vocalista Derrick Green. A escolha do repertório focou na era pós-saída de Max Cavalera, celebrando a longevidade e a evolução sonora do grupo ao longo das últimas décadas.
Com faixas como “Against”, “Kairos” e a estreia ao vivo de “Sacred Books”, o grupo reafirmou seu papel fundamental na história do metal mundial. A apresentação serviu como uma celebração da resiliência da banda, que conseguiu manter sua relevância artística mesmo após mudanças drásticas em sua formação original. Para os fãs, foi a oportunidade de ver de perto o encerramento de um ciclo importante na trajetória de um dos maiores nomes do metal brasileiro.
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