Em um movimento estratégico que sinaliza a busca por maior autonomia financeira, os líderes do Brics aprovaram, neste sábado (12), a Declaração de Nova Déli. O documento formaliza a condenação a tarifas unilaterais e barreiras comerciais, ao mesmo tempo em que estabelece diretrizes para aprofundar o uso de moedas locais em transações comerciais e investimentos entre os países do bloco, que inclui o Brasil.
Desafios ao sistema multilateral de comércio
O grupo, que celebra duas décadas de existência, classificou o atual cenário econômico como uma encruzilhada crítica. Segundo os líderes, a proliferação de restrições comerciais e tarifas eleva a incerteza global, impactando desproporcionalmente as nações em desenvolvimento. A declaração aponta que tais medidas, muitas vezes justificadas por critérios ambientais, são incompatíveis com as normas da OMC (Organização Mundial do Comércio) e ameaçam a estabilidade das cadeias globais de suprimentos.
Embora não tenham citado nominalmente os Estados Unidos ou figuras como Donald Trump, os signatários foram enfáticos ao repudiar sanções econômicas unilaterais e secundárias que não possuem o aval do Conselho de Segurança da ONU. O posicionamento reflete a insatisfação crescente com o uso de instrumentos financeiros como ferramentas de pressão geopolítica.
Reforma na governança das instituições globais
Um dos pontos centrais da agenda do bloco continua sendo a reforma das instituições financeiras internacionais. Os países do Brics reiteraram a necessidade urgente de mudanças na governança do FMI (Fundo Monetário Internacional) e do Banco Mundial. O objetivo central é garantir uma representatividade maior para as economias emergentes, que atualmente possuem um peso decisório inferior ao seu impacto no PIB global.
Fortalecimento do banco do Brics e pagamentos locais
O NDB (Novo Banco de Desenvolvimento), conhecido como banco do Brics, foi reafirmado como a principal ferramenta para o financiamento de infraestrutura e desenvolvimento sustentável sem a dependência exclusiva de organismos tradicionais. Os líderes solicitaram que a instituição diversifique suas fontes de financiamento e amplie a oferta de crédito em moedas locais.
Apesar do avanço, o bloco mantém uma postura cautelosa quanto a uma ruptura total com o sistema financeiro internacional. A força-tarefa de pagamentos do grupo trabalha na interoperabilidade de sistemas de mensagens financeiras, visando tornar as transações transfronteiriças mais eficientes e seguras. Contudo, a adoção de moedas locais segue atrelada às prioridades nacionais de cada país, sem uma solução única ou impositiva.
O Diário Global segue acompanhando de perto os desdobramentos desta cúpula e os impactos das decisões do Brics na economia mundial. Continue conosco para análises aprofundadas sobre política internacional, finanças e os movimentos que moldam o futuro das relações globais.

