A Suécia vive um momento de intensa definição política após a apuração das eleições parlamentares deste domingo (13). Segundo projeções da autoridade eleitoral do país, o bloco de oposição de centro-esquerda, liderado pela ex-primeira-ministra Magdalena Andersson, do Partido Social-Democrata, caminha para conquistar uma maioria estreita de 175 cadeiras no Parlamento, que conta com um total de 349 assentos. O bloco governista de direita, sob o comando do atual premiê Ulf Kristersson, aparece com 174 cadeiras.
A disputa acirrada e o futuro do governo
Com mais de 80% de comparecimento às urnas e cerca de 6 milhões de votos já contabilizados, o cenário permanece em aberto. A margem mínima de apenas uma cadeira reflete a profunda polarização que divide a sociedade sueca. O atual primeiro-ministro, Ulf Kristersson, declarou que o resultado final ainda é uma incerteza, com a expectativa de que a contagem definitiva seja concluída apenas na quarta-feira, após a chegada dos votos depositados no exterior.
O resultado, caso confirmado, representa um freio na guinada à direita que o país experimentou nos últimos quatro anos. Durante seu mandato, Kristersson promoveu mudanças drásticas, especialmente nas políticas de imigração, abolindo a residência permanente para refugiados e endurecendo as regras de assistência social, em uma tentativa de alinhar o país a normas culturais mais restritivas.
O papel controverso da extrema direita
Um dos pontos centrais deste pleito foi o papel do partido Democratas Suecos, legenda com origens em movimentos neonazistas da década de 1980. A sigla, que tem sido a maior bancada do bloco conservador, tornou-se um fiel da balança na política nacional. Kristersson havia sinalizado anteriormente que estaria disposto a integrar membros da legenda em seu gabinete para garantir a estabilidade administrativa, uma decisão que gerou críticas severas sobre a erosão das liberdades civis e das tradições liberais suecas.
A retórica do líder dos Democratas Suecos, Jimmie Akesson, durante a campanha, foi marcada por um tom radicalizado, incluindo o uso de slogans inspirados no movimento trumpista, como “Faça a Suécia Suécia novamente”. A possível influência dessa sigla no governo sueco é observada com atenção por analistas europeus, que veem no fenômeno um reflexo do fortalecimento de grupos de extrema direita em todo o continente, como o recente avanço do partido Alternativa para a Alemanha (AfD).
Contexto geopolítico e desafios internos
A eleição ocorre em um momento de desafios estratégicos para a Suécia, que se tornou o país mais recente a integrar a Otan, em 2024. A segurança nacional e a postura em relação à Rússia, tratada como uma ameaça existencial em Estocolmo, permearam os debates. A campanha de Kristersson sofreu um desgaste adicional após a revelação de ligações entre um dos principais ideólogos dos Democratas Suecos e serviços de inteligência russos, um episódio que causou constrangimento ao governo.
Além das questões de segurança e imigração, o futuro governo, independentemente de quem assuma, enfrentará um Parlamento fragmentado. As divergências internas entre as siglas de ambos os blocos sobre temas como a construção de novas usinas nucleares e políticas de taxação de bilionários prometem dificultar a governabilidade e a implementação de reformas estruturais nos próximos anos.
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