Presença feminina marca Rock in Rio 2026 apesar da ausência de headliners mulheres

Presença feminina marca Rock in Rio 2026 apesar da ausência de headliners mulheres

Entretenimento

A edição de 2026 do Rock in Rio trouxe um cenário de contrastes para o público e para a indústria musical. Pela primeira vez desde 2017, o festival não contou com nenhuma artista feminina no posto de headliner do Palco Mundo, o espaço principal da Cidade do Rock. A curadoria do evento optou por escalar nomes masculinos e bandas como Foo Fighters, Avenged Sevenfold, Calvin Harris, Elton John, Stray Kids, Maroon 5 e twenty one pilots para o encerramento das noites.

Apesar da ausência no topo da grade, a movimentação nos bastidores revelou tentativas de diversificação. Segundo informações divulgadas pelo jornal O Globo, a organização do festival buscou a cantora Miley Cyrus para assumir um dos dias, mas a artista declinou o convite. O episódio reacende o debate sobre a equidade de gênero nos grandes festivais globais, onde a ocupação dos horários nobres ainda reflete uma predominância histórica de atrações masculinas.

Protagonismo feminino nos palcos secundários e no Palco Mundo

Mesmo sem o fechamento das noites no Palco Mundo, a presença feminina foi um dos pilares de sustentação da relevância cultural desta edição. Artistas como Demi Lovato, Hwasa e Ivete Sangalo foram responsáveis por momentos de alta mobilização de público, provando que o apelo comercial e a capacidade de arrastar multidões não dependem exclusivamente do status de headliner. Nomes como Luísa Sonza e Halsey também garantiram apresentações que figuraram entre as mais comentadas nas redes sociais.

O festival também serviu como vitrine para talentos internacionais em ascensão, permitindo que o público brasileiro conhecesse de perto o trabalho da dupla britânica Nova Twins e da cantora Lola Young. Essa diversidade de estilos, que transitou entre o pop global, o heavy metal, o samba e a MPB, reforçou o papel do evento como um termômetro das tendências musicais contemporâneas.

O Palco Sunset como vitrine da diversidade

Se o Palco Mundo manteve uma estrutura mais tradicional, o Palco Sunset consolidou-se como o espaço de maior prestígio para a força feminina. A cantora sueca Zara Larsson foi o grande destaque do encerramento deste palco no último dia de evento, entregando uma performance que foi amplamente elogiada pela crítica e pelo público.

O Sunset funcionou como um motor de encontros inéditos, misturando ritmos brasileiros com sonoridades globais. A programação incluiu nomes como Poppy, Nervosa, Vanessa da Mata, Laufey, Duquesa, Luedji Luna, Zaynara, Daniela Mercury, Marina Sena, Céu, Joelma, Viviane Batidão, Carol Biazin e Joyce Alane. A curadoria desses encontros permitiu uma pluralidade sonora que, muitas vezes, acaba diluída nos palcos de maior porte.

Representatividade nos espaços alternativos

A capilaridade da participação feminina estendeu-se por toda a Cidade do Rock, alcançando o Palco Supernova, o Global Village e o Espaço Favela. Esses palcos foram fundamentais para abrigar correntes sonoras que fogem do circuito comercial massivo, garantindo espaço para a experimentação artística.

Um dos momentos mais emblemáticos dessa ocupação foi a apresentação do projeto “Rock in Gil”, conduzido por Larissa Luz. A performance destacou a importância de homenagens que conectam a história da música brasileira com novas gerações de artistas. A diversidade observada nestes palcos reforça que, embora o topo da pirâmide ainda enfrente desafios de equidade, a base e o corpo do festival são sustentados por uma pluralidade de vozes femininas essenciais para a identidade do evento.

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