A Ucrânia intensificou seus esforços para adquirir aeronaves de ataque leve Super Tucano da Embraer, buscando uma estratégia para contornar o veto imposto pelo governo brasileiro ao fornecimento de equipamentos militares a Kiev. A nova rodada de negociações, anunciada pelo ex-presidente ucraniano Petro Poroshenko, visa utilizar um país membro da Otan como intermediário na transação, reacendendo um debate complexo sobre a neutralidade brasileira em conflitos internacionais.
Desde o início do conflito com a Rússia, a Ucrânia tem buscado reforçar sua capacidade de defesa aérea, especialmente contra drones e aeronaves de baixa velocidade. O Super Tucano, conhecido por sua versatilidade e eficácia em missões de ataque leve e interceptação, surge como uma solução atraente para as necessidades ucranianas, apesar das restrições impostas pelo Brasil.
A busca ucraniana por reforço aéreo e o veto brasileiro
A tentativa de Kiev de adquirir os Super Tucanos não é recente. Em 2022, durante o governo de Jair Bolsonaro, a Ucrânia já havia manifestado interesse nos aviões, mas teve seu pedido negado. A justificativa brasileira, tanto na gestão anterior quanto na atual, comandada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, baseia-se na manutenção de relações comerciais com a Rússia, um parceiro estratégico em diversas áreas.
O veto brasileiro reflete uma política de não envolvimento direto no conflito, evitando o fornecimento de armamentos que poderiam ser interpretados como um alinhamento com um dos lados. Essa postura, embora defendida como neutra, tem gerado discussões sobre o papel do Brasil no cenário geopolítico global e suas responsabilidades como ator internacional.
A estratégia de Kiev: um intermediário da Otan
A mais recente iniciativa ucraniana foi revelada pelo ex-presidente Petro Poroshenko, que, apesar de ter perdido a reeleição em 2019 para Volodimir Zelenski, mantém influência política e empresarial no país. Poroshenko anunciou, em 21 de setembro de 2026, que foram alcançados acordos preliminares com a Embraer durante a feira aeroespacial MSPO-2026, realizada na Polônia entre os dias 8 e 11 deste mês.
A proposta de Poroshenko envolve a aquisição de uma frota de 24 Super Tucanos, com a particularidade de que a negociação seria finalizada por meio de um país da Otan que já possui contratos com o Brasil. Essa triangulação visa driblar a proibição direta do governo brasileiro, permitindo que a Ucrânia receba as aeronaves sem que o Brasil as forneça diretamente.
Fotos publicadas pelo partido de Poroshenko, o Solidariedade Europeia, mostram o ex-presidente em conversas com representantes da Embraer no estande da empresa na feira polonesa. Posteriormente, ele discutiu o assunto com o ministro da Defesa ucraniano, Iehvenni Khmara, reforçando a seriedade da intenção.
Super Tucano: o ‘matador de drones’ e suas capacidades
O Super Tucano é um turboélice avançado, reconhecido mundialmente por sua robustez, baixo custo operacional e capacidade de operar em ambientes hostis. Sua configuração como

