Alinhamento estratégico e mudanças diplomáticas
Em um vídeo recente divulgado em seu canal oficial, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) delineou as diretrizes que, segundo ele, norteariam a política externa brasileira em um eventual governo de seu irmão, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Entre as propostas centrais está a transferência da embaixada brasileira em Israel de Tel Aviv para Jerusalém, uma promessa que já havia sido ventilada durante a gestão de Jair Bolsonaro, em 2019, mas que não se concretizou à época.
Além da questão diplomática com Israel, o ex-deputado defendeu a adesão do Brasil ao chamado Escudo das Américas. Trata-se de uma aliança de cooperação em segurança idealizada por Donald Trump, voltada para países latino-americanos alinhados a pautas conservadoras. Para Eduardo, o país deve fortalecer laços com lideranças regionais, citando nominalmente figuras como Keiko Fujimori, no Peru, e Santiago Peña, no Paraguai, visando o combate conjunto à criminalidade.
Críticas a fóruns internacionais e pautas ambientais
O discurso de Eduardo Bolsonaro também marcou uma postura de ruptura com o atual modelo de diplomacia multilateral. O ex-deputado classificou as negociações globais sobre o aquecimento global como discussões sobre o “sexo dos anjos”, minimizando a relevância de fóruns como a ONU. Segundo ele, a atuação brasileira deve ser pautada por pragmatismo e alianças diretas, em vez de discursos em Genebra ou Nova York.
O parlamentar ainda prometeu o que chamou de “faxina” no Itamaraty, sugerindo a demissão de diplomatas que não estejam alinhados à visão de mundo do grupo político. Ele defendeu que o Brasil retorne a fóruns de combate ao antissemitismo e de memória do Holocausto, além de explorar a condição de aliado extra-Otan para ampliar a influência do país em questões territoriais sensíveis, como a disputa sobre o Saara Ocidental.
Contexto e repercussão da política externa
A proposta de transferência da embaixada para Jerusalém é um tema sensível na geopolítica global. Enquanto Israel reivindica a totalidade da cidade como sua capital, os palestinos pleiteiam a parte oriental como centro de um futuro Estado. A maioria da comunidade internacional, seguindo diretrizes da ONU, condiciona o reconhecimento do status de Jerusalém ao resultado de negociações de paz baseadas na solução de dois Estados.
Atualmente, apenas um grupo restrito de nações, como Estados Unidos, Guatemala e Honduras, mantém suas representações diplomáticas em Jerusalém. A sinalização de Eduardo Bolsonaro, que se colocou como um potencial nome para o Ministério das Relações Exteriores — embora tenha ressaltado que a decisão final caberia ao irmão —, indica que um governo sob a liderança de Flávio Bolsonaro buscaria um realinhamento drástico da política externa brasileira, priorizando a proximidade com o bloco liderado por Trump e agendas conservadoras.
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