O governo da Austrália anunciou, nesta sexta-feira (2), a suspensão temporária dos atendimentos em sua embaixada e consulados espalhados pelo território brasileiro. A decisão, que pegou de surpresa cidadãos e solicitantes de serviços diplomáticos, foi acompanhada por um alerta oficial que cita riscos de “terrorismo” e crimes violentos, conectando a medida ao clima político das eleições brasileiras.
Alerta de segurança e contexto eleitoral
O comunicado, divulgado por meio do portal oficial de turismo do governo australiano, recomenda que seus cidadãos mantenham um “alto grau de cautela” ao transitar pelo Brasil. O texto aponta para a possibilidade de manifestações políticas e aglomerações intensas que podem ocorrer antes, durante e após o pleito eleitoral, sugerindo que o ambiente de polarização pode elevar os riscos de segurança para estrangeiros.
Além das incertezas causadas pelo período eleitoral, o alerta australiano menciona a incidência de crimes comuns, como assaltos à mão armada e roubos de veículos, como fatores que motivaram a precaução. Embora o governo australiano cite a ameaça de terrorismo, o documento não apresenta detalhes específicos sobre quais seriam os riscos concretos ou se há uma ameaça direta identificada pelas agências de inteligência.
Ação coordenada entre aliados
A suspensão dos serviços pela Austrália ocorre em sintonia com uma medida similar adotada pelos Estados Unidos. Na mesma sexta-feira (2), a embaixada e os consulados americanos no Brasil também interromperam suas atividades presenciais, alegando “questões de segurança”. A coincidência das ações não é fortuita: ambos os países fazem parte da aliança de inteligência Five Eyes, que também inclui Reino Unido, Canadá e Nova Zelândia, o que sugere um compartilhamento de dados sensíveis sobre possíveis ameaças na região.
Em São Paulo, a movimentação em torno da sede consular foi notável. Viajantes que tinham agendamentos marcados encontraram as portas fechadas e um reforço policial ostensivo, com oito viaturas da Polícia Militar posicionadas na calçada. Segundo integrantes da gestão do governador Tarcísio de Freitas (PL), o pedido para o aumento do policiamento partiu do próprio consulado, e a proteção reforçada deve ser mantida, ao menos, até o próximo sábado (3).
Impacto e falta de orientações claras
Até o momento, nem o governo australiano nem o americano forneceram orientações claras sobre como os brasileiros com entrevistas e processos agendados devem proceder. A falta de comunicação detalhada tem gerado apreensão entre aqueles que dependem de vistos e documentos consulares para viagens ou negócios. Em nota, um porta-voz do Departamento de Estado dos EUA afirmou que a gestão de Donald Trump trata a segurança de seus cidadãos como “máxima prioridade” e que mantém cooperação com as autoridades brasileiras para monitorar a situação.
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