Em meio à realidade desafiadora de uma prisão superlotada no sul de Lima, no Peru, um projeto de artesanato está florescendo, trazendo não apenas uma fonte de renda, mas também um sopro de esperança e propósito para as detentas. Centenas de mulheres da penitenciária feminina de Chorrillos dedicam-se à confecção de bonecos de pano e outros souvenirs do Papa Robert Prevost, em antecipação à sua primeira visita à América Latina como pontífice.
A iniciativa ganha força à medida que a data da chegada do Papa se aproxima, com a expectativa de que a visita, marcada para 11 a 16 de novembro, traga visibilidade e oportunidades. As vendas dos produtos artesanais, que incluem desde os bonecos caricaturados até rosários e joias, destinam-se a ajudar no sustento das famílias das detentas, oferecendo um elo vital com o mundo exterior.
Artesanato como fonte de sustento e libertação
Nas oficinas da prisão de Chorrillos, que, apesar de ter capacidade para 400 detentas, abriga 751, a movimentação é intensa. Cerca de 290 mulheres trabalham em diferentes turnos, dedicando-se à produção minuciosa dos itens que celebram a figura papal. A meta é ambiciosa: produzir pelo menos mil bonecos para serem vendidos antes e durante a visita.
Os bonecos, que retratam o pontífice com óculos, batina branca, capa vermelha e o tradicional solidéu papal, são feitos de pano e recheados com algodão. Eles são comercializados por menos de US$ 9 (aproximadamente R$ 47) através de redes sociais e em uma loja do Instituto Nacional Penitenciário, mostrando o potencial de mercado para o trabalho manual das detentas.
Nany, uma das detentas e líder do empreendimento dos bonecos do papa, expressa o impacto emocional do trabalho. “Temos muitas emoções. Trabalhar no boneco nos liberta”, afirma, enquanto recorta o rosto caricaturado do pontífice em um molde. Suas companheiras, debruçadas sobre máquinas de costura, compartilham do mesmo sentimento de engajamento e propósito.
A profunda conexão do Papa Robert Prevost com o Peru
A visita do Papa Robert Prevost ao Peru é aguardada com fervor, especialmente pela sua forte ligação com o país andino. Nascido nos Estados Unidos, Prevost passou mais de duas décadas no Peru, onde atuou em diferentes períodos desde 1985 e chegou a obter a nacionalidade peruana. Em maio de 2025, ele foi nomeado chefe da Igreja Católica, e suas primeiras palavras públicas incluíram uma saudação à “querida diocese de Chiclayo”, cidade do norte peruano da qual foi bispo.
Este retorno, o primeiro como pontífice, tem um significado especial para a população peruana. Suas principais paradas serão em Chiclayo e Lima, onde encerrará sua primeira viagem pela América Latina, que também incluirá passagens pelo Uruguai e pela Argentina. A expectativa é que a presença do Papa reforce os laços de fé e solidariedade na região.
Esperança e oração nos corredores da prisão
Além dos bonecos, outras detentas se dedicam à criação de rosários, brincos e pulseiras com a imagem do pontífice, entrelaçando miçangas com habilidade. Entre elas está a brasileira Jullie Rocha, de 20 anos, que cumpre pena por tráfico de drogas. Ela compartilha um desejo comum entre as presas: “Eu pediria [a Robert Prevost] que rezasse um pouco por todas nós, porque aqui neste presídio não somos como as pessoas pensam”.
A diretora do presídio, Doris Nakandakari, mencionou que, embora não haja confirmação de uma visita papal à unidade prisional, as detentas nutrem a esperança de vê-lo e apresentar o fruto de seu trabalho. Esse anseio reflete a busca por reconhecimento e a crença de que a fé pode oferecer conforto e dignidade em condições adversas. Para mais informações sobre a Igreja Católica e suas ações globais, visite o site da Vatican News.
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