16.abr.2026/Reuters

A nova geopolítica: quem detém o poder real entre Trump, Irã e a IA, segundo Thomas L. Friedman

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Em um cenário global cada vez mais complexo, a dinâmica de poder entre nações e grupos tem sido redefinida por estratégias e tecnologias emergentes. O renomado editorialista de política internacional do New York Times, Thomas L. Friedman, provoca uma reflexão profunda sobre essa transformação em sua análise publicada em 10 de maio de 2026. Friedman questiona quem realmente detém as “cartas” no jogo geopolítico atual, apontando para a resiliência do Irã frente às pressões dos Estados Unidos e a crescente influência da inteligência artificial e da guerra assimétrica.

A percepção tradicional de poder, muitas vezes associada à capacidade de destruição em massa, está sendo desafiada por atores menores que utilizam ferramentas da era da informação para obter vantagens significativas. Essa nova realidade exige uma reavaliação das estratégias diplomáticas e militares, conforme detalhado por Friedman, que observa um mundo onde a força bruta nem sempre garante a vitória.

O tabuleiro global e as apostas de Trump

O presidente Donald Trump, conhecido por suas metáforas de pôquer, frequentemente afirma que seus adversários “não têm cartas” em confrontos. Ele aplicou essa retórica tanto ao presidente ucraniano Volodimir Zelenski em relação à Rússia, quanto aos líderes iranianos. A estratégia de Trump contra o Irã, por exemplo, baseia-se no bloqueio das exportações de petróleo, visando forçar Teerã a negociar sob seus termos.

No entanto, a análise de Friedman sugere que essa aposta pode ser mais arriscada do que parece. Especialistas apontam que o Irã possui reservas financeiras e capacidade de armazenamento de petróleo suficientes para resistir por vários meses. Em contrapartida, Teerã aposta que, ao ameaçar o Estreito de Hormuz e, consequentemente, elevar os preços globais de gasolina e alimentos, pode pressionar Trump a recuar, seguindo o que chamam de seu padrão “Trump Always Chickens Out” (Trump Sempre Amarela).

A ascensão da guerra assimétrica: exemplos recentes

A capacidade do regime iraniano de resistir por um período considerável ao poderio militar combinado de Israel e dos Estados Unidos é um dos pontos centrais da argumentação de Friedman. Ele atribui essa resiliência à incompreensão da guerra assimétrica, uma modalidade que reformulou a geopolítica nos últimos anos. Essa forma de conflito permite que potências menores e grupos não estatais desafiem adversários mais fortes, explorando suas vulnerabilidades com métodos não convencionais.

Friedman destaca exemplos notáveis dessa dinâmica. Em junho passado, a Ucrânia utilizou 117 drones de baixo custo, contrabandeados para a Rússia, para destruir ou danificar cerca de 20 aeronaves estratégicas russas, incluindo bombardeiros nucleares multimilionários. Este ano, a Guarda Revolucionária do Irã empregou drones Shahed-136, avaliados em apenas US$ 35 mil cada, para atacar dois data centers da Amazon Web Services nos Emirados Árabes Unidos, causando prejuízos de dezenas de milhões de dólares e interrompendo serviços bancários e outros na região do Golfo Pérsico.

O impacto da tecnologia e a era da informação

Outro exemplo contundente da guerra assimétrica é a tática do Hamas contra Israel. Comandantes do grupo revelaram a fabricação de pequenos foguetes a partir de tubulações de assentamentos israelenses abandonados, bombas israelenses não detonadas e até peças de um navio de guerra britânico da Primeira Guerra Mundial, afundado na costa da Faixa de Gaza. Israel, por sua vez, foi obrigado a usar mísseis Patriot, que custam US$ 4 milhões cada, para interceptar esses projéteis rudimentares.

Esses casos ilustram uma nova era em que pequenas potências e grupos podem alavancar ferramentas da era da informação, como sistemas guiados por GPS e controle digital, para obter vantagens desproporcionais. A capacidade de criar destruição em massa, outrora o principal medidor de poder, cede espaço à engenhosidade e à adaptabilidade tecnológica. Para uma análise mais aprofundada sobre o tema, visite a coluna de Thomas L. Friedman no The New York Times.

O futuro incerto: IA e ciberataques como novos jogadores

A discussão de Friedman culmina na projeção de que a próxima geração de hackers cibernéticos e a inteligência artificial (IA) serão os novos e imprevisíveis jogadores neste cenário. A capacidade de lançar ataques cibernéticos sofisticados, capazes de desabilitar infraestruturas críticas e causar prejuízos econômicos massivos, representa uma ameaça que transcende as fronteiras tradicionais da guerra. China, Estados Unidos e outras nações estão agora em uma corrida para dominar e se defender contra essas novas formas de conflito.

A questão central permanece: quem realmente está com as cartas neste jogo em constante evolução? A resposta, segundo Friedman, não é mais tão clara quanto antes, e a complexidade só tende a aumentar com o avanço tecnológico. A geopolítica do século XXI é um tabuleiro onde a inteligência, a adaptabilidade e a capacidade de inovar em meio à assimetria podem ser mais decisivas do que o poderio militar convencional.

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