O governo federal oficializou, nesta terça-feira (12), o lançamento do programa Brasil Contra o Crime Organizado, uma estratégia nacional que busca desarticular facções criminosas por meio de investimentos robustos e cooperação entre entes federativos. Com um aporte direto de R$ 1,06 bilhão previsto para este ano e uma linha de crédito adicional de R$ 10 bilhões, o plano foca em atacar os pilares que sustentam a criminalidade no país: o lucro ilícito, o controle das prisões, a impunidade em crimes letais e o poderio bélico.
Estratégia integrada e asfixia financeira
O primeiro eixo do programa, que contará com R$ 388,9 milhões em investimentos diretos, visa a asfixia financeira das organizações criminosas. A estratégia prevê o fortalecimento das Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (Ficco) e a criação de uma força nacional voltada para operações interestaduais de alta complexidade. Além disso, o governo pretende expandir a instalação dos Comitês Integrados de Investigação Financeira e Recuperação de Ativos (CIFRA) para diversas unidades federativas até setembro, centralizando leilões de bens apreendidos e utilizando tecnologias avançadas para extração de dados de dispositivos eletrônicos.
Segurança máxima no sistema prisional
Reconhecendo que as prisões funcionam frequentemente como centros de comando para o crime, o governo destinará R$ 330,6 milhões para elevar 138 unidades prisionais ao padrão de segurança máxima. Segundo o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, essa medida é crucial, visto que 80% das lideranças das facções identificadas no país estão custodiadas nessas unidades. O plano inclui a criação do Centro Nacional de Inteligência Penal (CNIP), a modernização de equipamentos de varredura e a implementação de protocolos rigorosos de inteligência para impedir a circulação de itens ilícitos dentro dos presídios.
Investigação de homicídios e combate ao tráfico de armas
Para reduzir a impunidade, o terceiro eixo do programa investirá R$ 201 milhões na qualificação da investigação de crimes letais. O foco está no fortalecimento das polícias científicas e dos Institutos Médico-Legais (IMLs), além da expansão da Rede Integrada de Bancos de Perfis Genéticos e do Sistema Nacional de Análise Balística (Sinab). Paralelamente, R$ 145 milhões serão aplicados no enfrentamento ao tráfico de armas, munições e explosivos, com a criação da Rede Nacional de Enfrentamento do Tráfico de Armas, Munições, Acessórios e Explosivos (Renarm) e o aparelhamento de delegacias especializadas.
Articulação entre esferas de poder
Durante o anúncio, o presidente Lula enfatizou que a iniciativa não pretende substituir a atuação das polícias estaduais ou a autoridade dos governadores. O objetivo central é a colaboração técnica e operacional. “O dado concreto é que, se a gente não trabalhar junto, a gente não consegue vencer. E o crime organizado se aproveita da nossa divisão”, afirmou o presidente. O financiamento dessas ações será viabilizado pelo Fundo Nacional de Investimento em Infraestrutura Social (Fiis), permitindo que estados e municípios adquiram desde viaturas e equipamentos de proteção até tecnologias de ponta para perícia e videomonitoramento.
O Diário Global segue acompanhando de perto os desdobramentos deste plano e o impacto das operações integradas na segurança pública nacional. Continue conosco para se manter informado sobre as políticas públicas que moldam o futuro do Brasil com a credibilidade e a profundidade que você exige.
