A bandeira brasileira tremulou no alto do pódio em Brandemburgo, Alemanha, neste sábado (16) de 2026, com a delegação nacional de canoagem e paracanoagem conquistando dois ouros e um total de cinco medalhas na etapa da Copa do Mundo. O desempenho notável, liderado por nomes consagrados como Isaquias Queiroz e Fernando Rufino, o “Cowboy de Aço”, reafirma a crescente potência do Brasil nas águas internacionais, projetando um futuro promissor para a modalidade.
A competição, que reúne os principais atletas do cenário mundial, serve como um termômetro importante para os grandes desafios que se avizinham, incluindo os Jogos Olímpicos e Paralímpicos. A performance brasileira na Alemanha não apenas celebra vitórias individuais, mas também a força coletiva e a dedicação de uma equipe que tem se preparado intensamente para representar o país no mais alto nível.
Isaquias Queiroz: ouro, revanche e a ascensão de uma nova geração
Um dos momentos mais aguardados do dia foi a prova dos 500 metros da categoria C1 (canoa individual), onde o baiano Isaquias Queiroz, de 32 anos, demonstrou sua maestria. Dono de cinco medalhas olímpicas, incluindo um ouro, Isaquias cruzou a linha de chegada em 1min52s55, garantindo o topo do pódio. A vitória teve um sabor especial, pois foi conquistada com uma vantagem de 10 centésimos sobre o chinês Ji Bowen, o mesmo adversário que o havia superado na etapa anterior, em Szeged, na Hungria, há apenas uma semana.
A performance de Isaquias não foi a única a brilhar na canoagem masculina. O jovem baiano Gabriel Assunção, uma revelação de apenas 20 anos, também subiu ao pódio, conquistando a medalha de bronze com o tempo de 1min54s60. A dobradinha brasileira na prova de C1 500m é um indicativo da renovação e profundidade de talentos que o país tem desenvolvido na modalidade, garantindo que o legado de excelência continue.
Fernando Rufino, o Cowboy de Aço, domina a paracanoagem
Na paracanoagem, o sul-mato-grossense Fernando Rufino, carinhosamente conhecido como “Cowboy de Aço”, mais uma vez fez jus ao seu apelido. Bicampeão paralímpico, Rufino garantiu o ouro nos 200 metros da classe VL2 (canoa para atletas que utilizam braços e troncos para remar). Com um tempo de 53s44, ele demonstrou superioridade avassaladora, abrindo mais de 1 segundo de vantagem sobre o ucraniano Andrii Kryvchun, que ficou com a prata. O britânico Edward Clifton completou o pódio.
A trajetória de Rufino, que completará 41 anos no próximo dia 22, é um exemplo de superação. Ele perdeu parte dos movimentos das pernas após ser atropelado por um ônibus, mas encontrou na canoagem uma nova paixão e um caminho para o sucesso. Sua resiliência e força de vontade são uma inspiração para atletas e público, mostrando que os limites podem ser desafiados e superados.
Mais pódios e a força da delegação paralímpica brasileira
A excelente jornada brasileira em Brandemburgo foi enriquecida por outras conquistas na paracanoagem, evidenciando a profundidade e a qualidade da equipe. O piauiense Luis Carlos Cardoso, que era dançarino antes de uma infecção na medula o tornar cadeirante, conquistou a medalha de prata nos 200 metros da classe KL1 (caiaque para atletas com deficiências severas nas pernas e no quadril). Ele finalizou a prova em 49s85, sendo superado pelo húngaro Peter Kiss, pentacampeão mundial e bicampeão paralímpico. Cardoso, que já foi prata nas Paralimpíadas de Tóquio e Paris, continua a ser uma figura proeminente no esporte.
Outro destaque foi o paranaense Giovane Vieira de Paula, que levou o bronze nos 200 metros da classe VL3 (canoa para atletas com grau moderado de comprometimento no tronco e nas pernas). Com o tempo de 49s, ele ficou a menos de 15 centésimos do ouro, conquistado pelo ucraniano Vladyslav Yepifanov. Vieira de Paula, prata nos Jogos de Paris e cuja perna esquerda foi amputada devido a um acidente de trem, também personifica a garra e a determinação dos atletas paralímpicos brasileiros.
Finais de domingo: Brasil busca mais medalhas e consolida sua posição
A delegação brasileira ainda tem a chance de ampliar seu quadro de medalhas neste domingo (17), com a presença em três finais da paracanoagem. A sul-mato-grossense Débora Benevides disputará os 200 metros da classe VL2 às 10h23 (horário de Brasília). Logo em seguida, às 10h29, Fernando Rufino terá a oportunidade de buscar outro pódio, desta vez no caiaque (KL2), e o paranaense Flavio Reitz também competirá. Para fechar o dia, às 10h41, os paranaenses Miqueias Rodrigues e Gabriel Porto competirão nos 200 metros da classe KL3 (caiaque para atletas com deficiência moderada de membros inferiores).
Essas participações demonstram a consistência e o alto nível de preparação dos atletas brasileiros, que seguem firmes na busca por reconhecimento e vitórias no cenário internacional da canoagem e paracanoagem. O sucesso em Brandemburgo é um forte indicativo do potencial do Brasil para brilhar ainda mais em futuras competições. Para mais detalhes sobre a Copa do Mundo de Canoagem, clique aqui.
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