Reprodução

Empresária de filme sobre Bolsonaro tentou captar R$ 8,6 milhões via Lei Rouanet

Politica

A sócia-administradora da Go Up Entertainment, produtora responsável pelo filme “Dark Horse” (que significa “azarão” em inglês) sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Karina Ferreira da Gama, buscou aprovação para captar um total de R$ 8,59 milhões por meio da Lei Rouanet. Os recursos seriam destinados a quatro projetos culturais, incluindo um festival ligado à Marcha para Jesus, conforme revelado por documentos.

Os pedidos foram protocolados através do Instituto Conhecer Brasil, entidade presidida por Karina. Apesar do volume solicitado, a empresária conseguiu levantar apenas R$ 107 mil, valor direcionado para uma única iniciativa: o espetáculo “Rute – o Ballet”. Este episódio ganha relevância em meio ao intenso debate político sobre a Lei Rouanet, frequentemente criticada por setores bolsonaristas, mas que, neste caso, foi acionada por uma figura diretamente ligada a um projeto sobre o ex-mandatário.

O debate em torno da Lei Rouanet e o contexto político

A Lei Rouanet, oficialmente conhecida como Lei Federal de Incentivo à Cultura, permite que empresas e pessoas físicas destinem parte do Imposto de Renda devido para financiar projetos culturais aprovados pelo governo. Em troca, recebem incentivos fiscais. Apesar de seu papel fundamental no fomento à cultura brasileira, a lei se tornou um alvo constante de críticas por parte de apoiadores do ex-presidente Bolsonaro, que a associam a supostos desvios ou uso indevido de recursos.

A busca de Karina Gama por fundos via Lei Rouanet surge em um momento de grande repercussão. Recentemente, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente e pré-candidato à Presidência, defendeu o financiamento do filme “Dark Horse” como sendo “patrocínio PRIVADO para um filme PRIVADO sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público. Zero de lei Rouanet”. Essa declaração foi feita após a divulgação de áudios pelo site The Intercept Brasil, nos quais o senador pedia ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro que bancasse a produção.

Os projetos milionários e a captação efetiva

Os projetos apresentados pelo Instituto Conhecer Brasil, sob a presidência de Karina Gama, datam do período entre 2015 e 2019. O maior deles, aprovado durante o governo Bolsonaro no final de 2019, visava captar R$ 5,9 milhões para uma série de shows itinerantes associados à Marcha para Jesus, planejados para 15 estados. A expectativa era atrair cerca de 3 milhões de pessoas com apresentações de artistas de renome nacional.

Contudo, a pandemia de Covid-19 impactou a execução desses planos. O governo chegou a estender o prazo para captação de recursos até o final de 2022, mas o instituto não conseguiu levantar a verba necessária para o festival. O único projeto que obteve sucesso na captação foi “Rute – o Ballet”, apresentado em 2019 e realizado no ano seguinte. Para este espetáculo, o governo autorizou a captação de R$ 157 mil, dos quais R$ 107 mil foram efetivamente arrecadados.

A defesa de Flávio Bolsonaro e a crítica de Lula

A controvérsia em torno do financiamento do filme “Dark Horse” e a subsequente revelação dos pedidos de Karina Gama pela Lei Rouanet acentuam o embate político sobre o uso de recursos públicos na cultura. A postura de Flávio Bolsonaro, ao negar qualquer envolvimento com dinheiro público ou a Lei Rouanet para o filme de seu pai, contrasta com as tentativas da empresária ligada à produção.

Em resposta, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu a Lei Rouanet, afirmando que seu governo “nunca foi atrás da ‘lei Daniel Vorcaro’ para financiar artista”, em uma clara alusão às conversas entre o dono do Banco Master e o senador Flávio Bolsonaro. Esse episódio ressalta a dualidade da percepção pública sobre a Lei Rouanet, que é simultaneamente vista como um instrumento essencial para a cultura e um ponto de discórdia política.

O perfil da empresária e os planos do Instituto

Nos documentos do projeto da Marcha para Jesus, Karina Gama se descreveu como coordenadora-geral, com 20 anos de experiência no desenvolvimento de “planos e projetos estratégicos corporativos, sociais, culturais e econômicos para empresas e governos nacionais e internacionais que promovam o encontro e o intercâmbio de diferentes públicos”. Essa descrição sugere uma vasta experiência na gestão de grandes iniciativas, o que reforça a seriedade dos projetos apresentados ao mecanismo de incentivo cultural.

Apesar das tentativas de contato por mensagem e e-mail, Karina Gama não se manifestou sobre o assunto. O Instituto Conhecer Brasil também não retornou aos questionamentos da reportagem. A ausência de respostas mantém em aberto algumas questões sobre a motivação e os desdobramentos desses pedidos de captação, especialmente considerando a postura crítica de seus aliados políticos em relação à Lei Rouanet. Para mais informações sobre a Lei Rouanet, acesse o site oficial do governo.

Acompanhe o Diário Global para se manter informado sobre os desdobramentos deste e de outros temas relevantes que impactam o cenário político e cultural do Brasil. Nosso compromisso é com a informação de qualidade, contextualizada e aprofundada, para que você compreenda a fundo os fatos que moldam nossa realidade.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *