A cena política alemã observa com crescente preocupação o avanço da Alternativa para a Alemanha (AfD), partido de extrema direita que se consolida no eleitorado e se prepara para, potencialmente, assumir o governo em estados-chave. Com as eleições regionais de setembro se aproximando, especialmente em Saxônia-Anhalt e Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, a possibilidade de a AfD alcançar a maioria legislativa e implementar sua agenda radical tem gerado intensos debates e comparações históricas que remetem a um dos períodos mais sombrios da Alemanha.
Os planos de governo da legenda, que vêm sendo detalhados e vazados à imprensa, têm provocado reações fortes de políticos e observadores, que veem neles ecos preocupantes do Nationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei (NSDAP), o partido nazista de Adolf Hitler. A gravidade da situação é sublinhada pela memória histórica do país, onde a ascensão de ideologias extremistas deixou cicatrizes profundas na sociedade e na política.
O avanço da extrema direita no leste alemão
Em Saxônia-Anhalt, as projeções indicam que a AfD pode conquistar mais de 40% dos votos nas próximas eleições regionais. Um resultado como esse, com apenas um ou dois pontos percentuais a mais, colocaria a sigla de extrema direita em posição de poder. O mesmo cenário de ascensão é observado em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, outro estado que irá às urnas em setembro e que tem demonstrado uma inclinação por soluções populistas, muitas vezes inviáveis.
Desde sua fundação em 2013, a AfD tem demonstrado uma notável capacidade de cultivar o que é chamado de “voto afetivo”, especialmente nas regiões que antes compunham a Alemanha Oriental. Há um certo saudosismo em relação ao passado, que o partido soube explorar, apelando a sentimentos de descontentamento e nostalgia. Esse fenômeno tem sido crucial para a rápida consolidação da legenda em um cenário político tradicionalmente mais centrista.
Medidas controversas e a sombra do passado
As propostas da AfD para os estados onde pode chegar ao poder incluem uma série de medidas controversas. Algumas delas, como uma versão alemã do
