A Rússia elevou drasticamente o tom no conflito contra a Ucrânia nesta segunda-feira, 25 de maio de 2026, ao anunciar um ataque “inédito” a centros de decisão e comando em Kiev. Pela primeira vez desde o início da invasão em 2022, o governo russo emitiu um alerta explícito para que estrangeiros deixem a capital ucraniana, além de orientar os moradores locais a se afastarem de edifícios governamentais. A medida, comunicada pelo Ministério das Relações Exteriores de Moscou, é apresentada como uma retaliação direta à morte de 21 estudantes em um dormitório na região de Lugansk, no leste da Ucrânia, área sob controle russo.
A escalada russa não se limita apenas a centros de comando; indústrias de defesa ucranianas também foram designadas como alvos. Este anúncio ocorre em um momento de crescente tensão, após um fim de semana marcado por intensos bombardeios e o uso de armamentos de alta capacidade, sinalizando uma nova fase na guerra que já se estende por anos.
Escalada da retaliação e o alerta a Kiev
A justificativa para a nova ofensiva russa remete a um ataque ocorrido na sexta-feira anterior, que atingiu um dormitório estudantil em Lugansk, resultando na morte de 21 jovens. O incidente foi classificado como um dos mais letais contra civis em território controlado pela Rússia desde o início do conflito, provocando forte condenação do presidente Vladimir Putin.
Em resposta, Moscou promete uma ação que visa desmantelar a capacidade de comando e produção bélica da Ucrânia. O pedido para que estrangeiros deixem Kiev e a recomendação para que civis se afastem de estruturas governamentais sublinham a seriedade do aviso russo. Tal medida, sem precedentes na história recente do conflito, sugere a iminência de ataques de grande escala e com potencial devastador, aumentando a preocupação internacional sobre a segurança na capital ucraniana e a vida de seus habitantes.
O uso do supermíssil Orechnik e a resposta russa
A gravidade da situação foi prefigurada por um pesado ataque aéreo lançado pela Rússia no domingo, 24 de maio, contra a região de Kiev. Este bombardeio resultou na morte de quatro pessoas e deixou outras 80 feridas, demonstrando a capacidade destrutiva das forças russas. A ofensiva envolveu um arsenal considerável, com cerca de 600 drones e 90 mísseis, incluindo modelos hipersônicos como o Kinjal e o Tsirkon.
Um detalhe que chamou a atenção e gerou protestos na Europa foi o uso de ao menos um supermíssil Orechnik. Este modelo, projetado originalmente para guerras nucleares, havia sido empregado apenas duas vezes anteriormente no conflito, e nunca contra a região de Kiev. O Orechnik é um míssil balístico de alcance intermediário, capaz de atingir alvos a uma distância estimada de 5.000 km, e sua concepção visa aniquilar capitais continentais. Seu emprego contra a Ucrânia é visto como um sinal alarmante da disposição russa em escalar o confronto.
Sinais de Putin: testes nucleares e mísseis estratégicos
O uso do Orechnik não é um evento isolado, mas se insere em um contexto de demonstrações de força por parte de Vladimir Putin. Na semana retrasada, a Rússia havia realizado um teste com seu novo míssil intercontinental pesado, o Sarmat, uma arma de capacidade estratégica. Além disso, na semana passada, Moscou lançou de surpresa três dias de exercícios nucleares, os maiores desde o fim da Guerra Fria, um tipo de manobra que usualmente ocorre apenas em outubro.
Esses exercícios envolveram testes de armas estratégicas destinadas a destruir cidades e decidir guerras, como os mísseis Iars, lançados do solo, e o Sineva, disparado de submarinos. Em coordenação com a vizinha Belarus, foram simulados cenários de uso de mísseis balísticos Iskander-M, capazes de empregar ogivas nucleares táticas, que teriam um uso mais restrito ao campo de batalha. Tais movimentos são interpretados como uma mensagem clara da Rússia sobre sua capacidade e prontidão militar.
O cenário de ataques e a dinâmica geopolítica
O ataque ao dormitório em Lugansk, que serviu de estopim para a mais recente ameaça russa, ocorre em um momento em que a Ucrânia intensificou sua campanha de ataques com drones contra alvos russos. Particularmente, instalações da indústria petrolífera russa têm sido alvo frequente, buscando impactar a economia e a capacidade logística de Moscou.
Paralelamente, a dinâmica geopolítica global também influencia o cenário. Com a crise no Oriente Médio, os Estados Unidos, em um movimento estratégico, relaxaram sanções à venda de petróleo russo. A medida visa tentar estabilizar os preços globais da commodity, evitando um impacto ainda maior na economia mundial, mas adiciona uma camada de complexidade às relações internacionais e à continuidade do conflito ucraniano. Para mais informações sobre o cenário global, clique aqui.
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