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Xi Jinping em Pyongyang: a delicada missão da China para conter a aproximação entre Coreia do Norte e Rússia

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O líder chinês Xi Jinping está programado para uma visita de Estado à Coreia do Norte na próxima semana, a convite de Kim Jong-un. A notícia, divulgada pela agência Xinhua nesta sexta-feira (5), marca a primeira passagem de Xi por Pyongyang em sete anos e ocorre em um momento de complexas transformações geopolíticas na península coreana e no cenário global. O encontro é justificado pela celebração dos 65 anos do Tratado de Amizade de 1961, o único pacto de defesa mútua que a China mantém em todo o mundo.

A visita, no entanto, transcende a mera formalidade de um aniversário diplomático. Ela acontece em um período de crescente atrito nas relações bilaterais entre Pequim e Pyongyang, com a Coreia do Norte cada vez mais próxima de Moscou. A confirmação do encontro também surge um dia após Pyongyang anunciar a inauguração de uma usina de combustível nuclear, ocasião em que Kim Jong-un exigiu a expansão exponencial do arsenal atômico de seu regime, elevando as tensões regionais.

A Visita de Xi e o Tratado de Amizade Histórico

A viagem de Xi Jinping a Pyongyang é um evento de grande simbolismo e peso estratégico. O Tratado de Amizade, Cooperação e Assistência Mútua, assinado em 1961, é a pedra angular da relação entre China e Coreia do Norte, estabelecendo um compromisso de defesa recíproca em caso de ataque. A longevidade e a exclusividade deste pacto para a China sublinham a importância histórica da Coreia do Norte na estratégia de segurança chinesa, especialmente como um estado-tampão.

Contudo, o contexto atual é dramaticamente diferente do de 1961. A recente inauguração da usina de combustível nuclear norte-coreana e a declaração de Kim Jong-un sobre a expansão do arsenal nuclear do país adicionam uma camada de urgência e preocupação à agenda de Xi. A China, embora aliada, sempre expressou desconforto com a ousadia nuclear de Pyongyang, temendo as repercussões para a estabilidade regional e a possibilidade de uma escalada militar.

A Complexa Dinâmica da Dependência Norte-Coreana

É comum ouvir análises em Washington e Seul que enfatizam a dependência da Coreia do Norte em relação à China, citando que Pequim responde por cerca de 95% do comércio norte-coreano e 85% de suas exportações. Embora esses números sejam factualmente corretos, a conclusão de uma dependência política irrestrita é, segundo especialistas, uma simplificação.

Historicamente, a Coreia do Norte demonstrou uma notável capacidade de manobrar entre grandes potências. Durante a Guerra Fria, Kim Il-sung explorou a ruptura entre Moscou e Pequim para obter apoio militar e econômico de ambos os lados sem se submeter completamente a nenhum. Mais tarde, quando a China reconheceu a Coreia do Sul em 1992, Pyongyang reagiu ancorando sua sobrevivência em um crescente arsenal nuclear, em vez de depender da boa vontade chinesa. Isso sugere que a Coreia do Norte sempre priorizou sua autonomia estratégica, mesmo que isso implicasse em riscos e isolamento.

O Eixo Rússia-Coreia do Norte e a Inversão de Influência

A invasão da Ucrânia em 2022 marcou um ponto de inflexão na dinâmica da península coreana. Kim Jong-un encontrou na Rússia um segundo e poderoso padrinho, intensificando a cooperação militar e econômica. A Coreia do Norte tem enviado munição e, segundo relatos, cerca de 11 mil soldados para Kursk, na Rússia, e selou em 2024 um tratado com Vladimir Putin que inclui uma cláusula de defesa mútua.

Essa aproximação com Moscou oferece a Pyongyang um corredor militar alternativo e um segundo escudo no Conselho de Segurança da ONU, onde a Rússia, assim como a China, possui poder de veto. Essa nova realidade inverteu a hierarquia de influência que prevaleceu por décadas: pela primeira vez em muito tempo, é Pequim quem precisa cortejar a Coreia do Norte, e não o contrário. A visita de Xi, portanto, não é para disciplinar Kim, mas para evitar que o vizinho deslize de vez para a órbita russa, reequilibrando a balança de poder na região.

Preocupações Chinesas e o Cenário Geopolítico Regional

A erosão da influência chinesa sobre a Coreia do Norte é uma das principais razões para a viagem de Xi Jinping. Além de conter a crescente aproximação com a Rússia, a China também observa com atenção os movimentos de Donald Trump, que voltou a falar em retomar o diálogo com Kim Jong-un. O líder chinês certamente não deseja ser pego de surpresa por uma aproximação direta entre Washington e Pyongyang, como quase ocorreu em 2019, o que poderia minar ainda mais a relevância de Pequim na questão coreana.

Refletindo essas mudanças no tabuleiro geopolítico, a linguagem diplomática de Pequim vem se adaptando. A China já não fala abertamente em

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