2.mai.26/The New York Times

Negociações entre EUA e Irã buscam acordo de paz em cenário de ‘nem guerra, nem paz’

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Em um intrincado tabuleiro diplomático, Estados Unidos e Irã se encontram em um delicado estado de “nem guerra, nem paz”, buscando um acordo preliminar que encerre um conflito prolongado. A complexidade reside na necessidade de ambos os lados apresentarem o resultado das negociações como uma vitória para suas respectivas bases domésticas, evitando a percepção de derrota que poderia desestabilizar suas lideranças e alimentar setores linha-dura.

Meses após um frágil cessar-fogo estabelecido em abril, as conversas avançam e recuam, marcadas por disputas sobre sanções econômicas, o programa nuclear iraniano e a liberação de ativos congelados. Essa incerteza prolongada mantém o Oriente Médio em alta tensão e a economia global em suspense, especialmente devido aos bloqueios mútuos no vital Estreito de Hormuz.

O Dilema da Vitória Perceptível em Teerã e Washington

A principal barreira para um acordo duradouro entre Washington e Teerã não é apenas a divergência sobre os termos, mas a forma como esses termos serão comunicados internamente. Ambos os governos, que não se consideram totalmente vitoriosos nem completamente derrotados, precisam de uma narrativa que satisfaça seus falcões e críticos.

Para o Irã, a pressão vem da Guarda Revolucionária e de outros setores conservadores, que argumentam que o país, com sua recém-adquirida capacidade de controlar o tráfego no Estreito de Hormuz, não deveria ceder a uma nação que já atacou e matou importantes líderes iranianos. Eles defendem uma postura agressiva, como os ataques recentes contra Israel, que levaram a região à beira de uma guerra total em 8 de junho de 2026, antes de um recuo mútuo.

Do lado americano, o presidente Donald Trump enfrenta a resistência de indivíduos anti-Irã em seu próprio país. Ele precisa de um acordo que possa ser vendido como um triunfo, especialmente em meio a choques econômicos globais e eleições de meio de mandato, onde os preços dos combustíveis são uma preocupação central para o eleitorado.

Obstáculos Internos e a Complexidade Iraniana

A dinâmica das negociações é ainda mais complicada pelas peculiaridades dos líderes envolvidos. O líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, opera de forma reclusa, preocupado em ser alvo de ataques, assim como seu pai, o ex-líder supremo Ali Khamenei, que foi morto em ofensivas americano-israelenses. Mediadores, que falaram sob condição de anonimato, relatam que a aprovação de qualquer proposta por Mojtaba leva dias, devido ao sistema de mensageiros utilizado para a comunicação.

Essa lentidão e a necessidade de Mojtaba de apaziguar os linha-dura da Guarda Revolucionária tornam o processo iraniano particularmente arrastado. A desconfiança em relação a Washington é profunda, alimentada pela convicção de que os EUA inevitavelmente atacarão o Irã novamente, o que justifica, para eles, uma postura mais combativa.

A Volatilidade da Liderança Americana e o Processo Negociador

A imprevisibilidade de Donald Trump é outro fator desestabilizador. Frustrado por não conseguir falar diretamente com Mojtaba e impaciente com o estilo de negociação iraniano, ele tem repetidamente voltado atrás em termos previamente acordados por seus próprios negociadores. Essa dinâmica, que começou na primeira rodada de conversas no Paquistão em abril, foi relatada por mediadores e um funcionário com conhecimento direto ao New York Times.

Em uma dessas ocasiões, os enviados de Trump, o magnata imobiliário Steve Witkoff e o vice-presidente J. D. Vance, teriam concordado com uma suspensão de dez anos do programa de enriquecimento nuclear iraniano. No entanto, Trump teria posteriormente insistido em uma suspensão de 20 anos, o que levou ao fracasso daquelas conversas. Mais recentemente, enquanto se aguardava a resposta de Mojtaba a um rascunho, Trump adicionou novas condições sobre o programa nuclear e os ativos congelados, irritando os iranianos e reforçando sua desconfiança.

A ausência de conversas diretas entre Washington e Teerã obriga países como Paquistão e Qatar a atuarem como pontes, circulando rascunhos de acordos. A analista Sanam Vakil, diretora do programa de Oriente Médio e Norte da África no Chatham House, destacou o dilema: “Os EUA querem obter tudo e não dar muito no início. E os iranianos querem obter coisas no início e dar coisas ao longo do caminho.” Para mais informações sobre análises geopolíticas, consulte Chatham House.

Os Termos Potenciais e a Urgência Econômica

A estrutura de um acordo de paz provavelmente incluirá a permissão do Irã para o tráfego marítimo normal pelo Estreito de Hormuz e a suspensão do bloqueio americano a embarcações iranianas. Uma segunda fase de negociações culminaria na entrega do estoque de urânio altamente enriquecido do Irã em troca do alívio das sanções econômicas por Washington. Além disso, espera-se que o acordo desbloqueie parte dos ativos iranianos congelados, uma medida que pode ser particularmente problemática para o presidente Trump.

Apesar dos avanços e retrocessos, a maioria dos analistas acredita que algum tipo de acordo preliminar, provavelmente temporário e vago, surgirá nas próximas semanas. A necessidade é mútua: o Irã enfrenta uma crise econômica devastadora, com inflação descontrolada e colapso da moeda, enquanto Trump precisa gerenciar os impactos econômicos globais e as pressões eleitorais.

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