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Buquê de noiva: o adeus ao arremesso e a ascensão da preservação e alternativas criativas

Saúde

A cena clássica de um casamento, com a noiva de costas para um grupo de mulheres solteiras, prestes a arremessar seu buquê, está se tornando cada vez mais rara. O que antes era uma tradição quase obrigatória, simbolizando a passagem do bastão para a próxima a se casar, hoje dá lugar a uma nova tendência: a noiva não apenas repensa o ritual, mas decide ficar com suas flores, transformando-as em uma lembrança duradoura ou optando por arranjos alternativos que desafiam o tempo.

Essa mudança reflete não só um desejo de eternizar um dos símbolos mais importantes do grande dia, mas também uma evolução nas percepções culturais sobre o casamento e a solteirice. O buquê de noiva, antes um item efêmero, agora ganha status de peça de arte, herança familiar ou declaração de estilo pessoal.

A ascensão da preservação floral como arte

A preservação de buquês de noiva tem ganhado força, transformando as flores frescas em obras de arte permanentes. Lauren Wallace, de 28 anos, proprietária da Maed by Mini em Syracuse, Nova York (EUA), é um exemplo dessa crescente demanda. Em 2023, seu negócio já operava em tempo integral, e para 2024, ela agendou mais de 120 preservações de buquês, um testemunho do interesse das noivas em manter suas flores.

O processo de Wallace, influenciado pelas pinturas flamengas do século 17, envolve secar as flores em gel de sílica por cerca de um mês. Em seguida, elas são cuidadosamente dispostas em um recipiente de madeira personalizado, onde múltiplas camadas de resina são aplicadas para criar profundidade e clareza. O trabalho é finalizado com lixamento e acabamento da madeira, resultando em uma peça única. Com um preço inicial de US$ 1.000 (equivalente a R$ 5.085), a artista também oferece a criação de porta-copos, brincos e pingentes com os restos das flores, agregando ainda mais valor sentimental e utilitário.

Buquês que desafiam o tempo: vidro, miçangas e conchas

Além da preservação, a criatividade das noivas e artistas tem levado à criação de buquês alternativos feitos de materiais inusitados, garantindo que a beleza do arranjo dure para sempre. A artista Donna Collinson, conhecida como a Florista de Vidro, de Thorpe Waterville, na Inglaterra, começou a produzir buquês de vidro durante a pandemia de Covid-19, tornando-se uma sensação na internet. Ela destaca o impacto ambiental das flores frescas, defendendo que um buquê de vidro pode se tornar uma peça de herança familiar.

Os buquês de Collinson são feitos com varetas de vidro aquecidas a cerca de 1.200 graus e moldadas com ferramentas específicas, custando entre US$ 250 (R$ 1.270) e US$ 900 (R$ 4.572), em contraste com os buquês frescos típicos que variam de US$ 100 a US$ 350. Outra inovação vem de Rachel Pecuh, designer por trás da Le Métier, em Vancouver, Canadá, que cria buquês de flores de miçangas francesas. Uma de suas postagens no TikTok viralizou com mais de 15 milhões de visualizações, e cerca de 85% de seu trabalho é dedicado a casamentos ou recriações de buquês em miçangas. Seus buquês começam em pouco mais de US$ 300 (R$ 1.524) e levam de dois a três dias para serem concluídos.

Para noivas com um toque praiano, Skye Nilsson, da Treasures Untold Au em Sydney, Austrália, cria buquês de conchas do mar. Suas encomendas estão agendadas até novembro de 2027, e ela utiliza conchas que são subprodutos da indústria de frutos-do-mar, promovendo a sustentabilidade. Os buquês de conchas levam cerca de um mês para serem criados e custam aproximadamente US$ 450 (R$ 2.286). A tendência também inspira o “faça você mesmo”, como Emma Pearce, de Jersey City, Nova Jersey (EUA), que criou seu buquê de conchas com a mãe, e Danielle Felix, da Califórnia (EUA), que fez seu buquê de crochê em apenas três dias, com a intenção de passá-lo para sua filha no futuro.

O fim de uma tradição e o novo significado do casamento

A mudança na preferência das noivas não é apenas estética ou prática; ela reflete uma transformação cultural mais profunda. Amy Shack Egan, fundadora da Cheersy, uma plataforma de coordenadores de casamento, observa que “o casamento começou a parecer menos uma conquista”. Nesse contexto, arremessar um buquê para amigas solteiras, presumindo que todas anseiam desesperadamente por se casar, pode ser visto como algo quase ofensivo ou antiquado.

Kristine Satorre, fundadora do serviço Modern Brides BFF, corrobora essa percepção, afirmando que, de 300 casamentos nos últimos três anos, viu apenas duas noivas jogarem o buquê. “O consenso é que é muito arcaico e constrangedor. Para muitos casais, eles escolhem se casar, em vez de pensar que precisam se casar”, explica Satorre. Essa nova perspectiva valoriza a individualidade, a escolha consciente e a criação de memórias tangíveis e duradouras do dia do casamento, em vez de seguir rituais que já não ressoam com os valores contemporâneos.

A decisão de manter o buquê ou optar por uma versão alternativa é um reflexo da personalização que se tornou central nos casamentos modernos. Cada noiva busca expressar sua identidade e criar um dia que seja verdadeiramente seu, com elementos que carreguem significado e possam ser apreciados muito além da cerimônia. Essa tendência sublinha a evolução das tradições, adaptando-se a um mundo onde a individualidade e a sustentabilidade ganham cada vez mais espaço.

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