A zagueira Paloma Maciel, do Cruzeiro feminino, sofreu uma grave lesão no joelho direito durante um período de treinos com a seleção brasileira em Itu, no interior paulista. O incidente, ocorrido na última quarta-feira (17), elevou para sete o número de atletas do clube afastadas por ruptura do ligamento cruzado anterior (LCA), um cenário alarmante que acende um alerta sobre a saúde das jogadoras e a gestão de carga no futebol feminino.
Paloma, que desde segunda-feira (15) integrava a semana de treinamentos da seleção visando à Copa do Mundo de 2027, que será sediada no Brasil, rompeu o LCA e lesionou o menisco. A defensora retornou a Belo Horizonte para iniciar o processo de recuperação, que incluirá cirurgia, e engrossa uma estatística delicada para as Cabulosas.
A mais recente baixa e o impacto no elenco
A lesão de Paloma Maciel, de 26 anos, representa um duro golpe tanto para a jogadora quanto para o Cruzeiro. Ela se junta a uma lista preocupante de desfalques por LCA que acometeu o elenco nesta temporada. Entre as atletas afastadas pela mesma lesão estão a lateral Laura Felipe, a zagueira Tainara, a meia Gaby Soares e as atacantes Millene, Ravenna e Dudinha. Esta última havia rompido o ligamento cruzado do joelho direito em 9 de junho, durante um amistoso da seleção brasileira contra os Estados Unidos.
A situação é ainda mais simbólica para Paloma, que havia assumido o lugar de Ravenna na convocação da seleção para os treinos em Itu, justamente por conta da lesão da companheira de equipe. Além das contusões de LCA, o clube também lida com outras baixas, como a da atacante Fabiola Sandoval, que rompeu o ligamento do joelho em julho de 2025, evidenciando uma série de problemas físicos que afetam o desempenho e a continuidade do trabalho técnico.
Entendendo a lesão de ligamento cruzado anterior
A ruptura do ligamento cruzado anterior é uma das lesões mais temidas no esporte, especialmente no futebol, devido ao longo período de recuperação e ao impacto na carreira dos atletas. Em novembro de 2023, o cirurgião Marco Demange, professor Livre-Docente do Departamento de Ortopedia e Traumatologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), explicou a natureza dessa contusão em entrevista ao programa Stadium, da TV Brasil.
Segundo o especialista, o LCA atua como uma “corda” que conecta o fêmur (osso da coxa) à tíbia (principal osso da perna), sendo crucial para estabilizar a rotação do joelho. O rompimento geralmente ocorre devido a giros bruscos, aterrissagens inadequadas ou descontroles inesperados do movimento em esportes de impacto. Fatores como o ambiente de jogo, que pode “travar” o joelho, e a energia do trauma também contribuem significativamente para o risco de lesão.
Cruzeiro busca respostas para a sequência de contusões
A alta incidência de lesões de LCA no elenco feminino do Cruzeiro não passou despercebida pela diretoria. No fim de maio, a gerente de Futebol Feminino do clube, Luiza Parreiras, reconheceu em coletiva de imprensa que a sequência de contusões não pode ser tratada como mera coincidência. A equipe técnica e de gestão está empenhada em uma investigação aprofundada para identificar as causas.
“A gente tem buscado nessas últimas semanas levantar todos os dados e informações que o Cruzeiro consegue ter, pensando em tecnologia e em toda essa estrutura. A gente precisa usufruir de tudo isso para chegar a uma conclusão do que está acontecendo”, afirmou Luiza. A análise inclui o controle de carga de treinos, dados de GPS, padrões de sono, ciclo menstrual das atletas, percentual de gordura, hidratação pré e pós-jogo, além do acompanhamento psicológico e da força muscular. O objetivo é criar um panorama completo para implementar medidas preventivas eficazes.
A preocupação global com lesões femininas no futebol
A situação do Cruzeiro reflete uma preocupação mais ampla no futebol feminino global. Estudos médicos apontam que a incidência de lesões de LCA é duas a oito vezes maior em mulheres do que em homens. Essa disparidade tem levado a comunidade científica e esportiva a buscar explicações e soluções específicas para as atletas.
Em 2023, a Federação Internacional de Futebol (FIFA) anunciou o financiamento de um estudo em parceria com a Universidade de Kingston, na Inglaterra, para investigar uma possível ligação entre as lesões de LCA e o ciclo menstrual. Essa iniciativa demonstra o reconhecimento da complexidade do tema e a necessidade de pesquisas aprofundadas para proteger a saúde das jogadoras e garantir a longevidade de suas carreiras. A busca por protocolos de treino e recuperação adaptados às particularidades fisiológicas femininas é um passo crucial para o desenvolvimento sustentável do esporte.
O cenário da seleção e os próximos desafios do clube
A convocação da seleção brasileira feminina em Itu, onde Paloma Maciel se lesionou, reuniu 29 jogadoras para um período de treinos que se estende até sábado (20). O técnico Arthur Elias enfatizou a importância desses encontros, considerando as poucas datas-Fifa disponíveis até a Copa do Mundo de 2027. “Essa convocação já estava no nosso planejamento há muito tempo, então conseguimos realizar agora com a pausa da Copa do Mundo masculina”, destacou Elias ao site da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Ele ressaltou que, embora algumas mudanças no elenco sejam naturais, a base da equipe deve ser mantida.
Enquanto a seleção se prepara para o futuro, o Cruzeiro feminino, atualmente na sétima colocação do Campeonato Brasileiro Feminino, que tem transmissão pela TV Brasil, enfrenta o desafio de superar os desfalques e manter o bom desempenho. As Cabulosas voltam a campo em 24 de julho, às 21h30 (horário de Brasília), para enfrentar o São Paulo na Arena do Jacaré, em Sete Lagoas. A partida será crucial para a equipe mineira, que busca consolidar sua posição na tabela em meio às adversidades.
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