© Paulo Pinto/Agência Brasil

Governo federal lança política nacional para ampliar saúde da população em situação de rua

Saúde

Um novo marco para o atendimento no SUS

O governo federal oficializou, nesta quarta-feira (24), em São Paulo, a implementação da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da População em Situação de Rua. A iniciativa, apresentada pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, na Casa de Oração do Povo da Rua, na região da Luz, visa reestruturar o acesso aos serviços do Sistema Único de Saúde (SUS) para um dos segmentos mais vulneráveis da sociedade brasileira.

A medida chega em um momento de crescimento expressivo da população que vive nas ruas, com números que superam 388 mil pessoas em todo o país. O objetivo central é descentralizar o cuidado, levando assistência médica diretamente aos locais onde essas pessoas se encontram, rompendo barreiras burocráticas que historicamente dificultaram o acesso a consultas, exames e tratamentos básicos.

Expansão de equipes e unidades móveis

Um dos pilares da nova política é o reforço operacional. O Ministério da Saúde anunciou a ampliação de 300 para 392 equipes especializadas em todo o território nacional. Além disso, o plano prevê o repasse de 400 Unidades Móveis de Rua (UMR) para municípios e para o Distrito Federal, com um investimento total de R$ 144 milhões. A previsão é que a frota esteja em pleno funcionamento até 2027.

Esses veículos serão adaptados para atuar como consultórios itinerantes, equipados para realizar desde testes rápidos e coletas de exames de sangue até procedimentos ginecológicos e curativos. A estratégia busca garantir que o cuidado chegue a quem, muitas vezes, enfrenta a invisibilidade ou a repressão em vez de assistência médica, conforme destacou o padre Júlio Lancellotti durante o lançamento.

Combate ao preconceito e desburocratização

A nova política estabelece diretrizes rígidas contra a aporofobia, o racismo e a LGBTQIA+fobia dentro das unidades de saúde. O ministro Alexandre Padilha reforçou que o atendimento não poderá ser negado ou restringido pela ausência de comprovante de residência ou do cartão SUS. A medida visa eliminar a exigência de endereço fixo, que frequentemente servia como barreira para o acolhimento dessa população.

Para Daiane Cristina Rodrigues, que vivenciou a realidade das ruas e hoje atua na Pastoral do Povo da Rua, a mudança é estrutural. Ela relata que, anteriormente, o estigma de estar em situação de rua resultava em negligência ou recusa de atendimento. A proposta agora é que o sistema se adapte à realidade do paciente, e não o contrário, garantindo dignidade no acesso aos direitos fundamentais.

Eixos estratégicos e monitoramento

A política está estruturada em sete eixos de atuação, que incluem desde a saúde bucal e da mulher até a vigilância em saúde para proteção contra eventos climáticos extremos. Um ponto relevante é a criação de um sistema de dados que tornará obrigatória a inclusão do campo “população em situação de rua” nos cadastros do SUS, permitindo um monitoramento mais preciso e políticas públicas baseadas em evidências.

O governo também aposta na gestão participativa, incentivando que as próprias pessoas em situação de rua contribuam na construção e fiscalização das ações. Para mais detalhes sobre esta e outras iniciativas de impacto social, continue acompanhando o Diário Global, seu portal de referência para notícias que transformam a realidade brasileira com credibilidade e profundidade.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *