28.mai.2026/Divulgação da Câmara dos Deputados

Mendonça suspende inelegibilidade de Crivella e libera ex-prefeito para disputa ao Senado

Politica

Reviravolta jurídica no cenário eleitoral fluminense

O cenário político do Rio de Janeiro sofreu uma alteração significativa nesta quarta-feira (1º), após uma decisão liminar do ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O magistrado suspendeu os efeitos da condenação que mantinha o ex-prefeito Marcelo Crivella (Republicanos) inelegível até 2028, abrindo caminho para que o político possa registrar sua candidatura ao Senado nas eleições de outubro.

A decisão atende a um pedido da defesa de Crivella, que buscava reverter a punição imposta pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ). O ex-prefeito havia sido condenado por abuso de poder político e econômico em um processo derivado do caso conhecido como “QG da Propina”, que apurou irregularidades em pagamentos da prefeitura a empresas durante sua gestão.

Contexto do caso e a argumentação da defesa

O processo em questão apurou um esquema de facilitação de pagamentos municipais que, segundo as investigações, teria favorecido empresas em contratações administrativas. As denúncias abrangem um período que se estende desde as eleições de 2016 até o pleito municipal de 2020. A condenação original, que resultou na inelegibilidade de Crivella, foi fundamentada na participação ou no benefício direto do então prefeito no esquema.

Ao analisar o recurso, Mendonça destacou a existência de uma divergência qualificada dentro do tribunal regional. O ministro pontuou que um dos votos no TRE-RJ foi contrário à condenação, argumentando que os ilícitos apontados estariam vinculados ao pleito de 2016, e não ao de 2020. Para o ministro do TSE, essa tese é “juridicamente qualificada” e torna o pedido da defesa plausível, justificando a necessidade de uma análise mais aprofundada antes que a inelegibilidade cause danos irreversíveis ao direito político do réu.

Impacto na corrida eleitoral de 2026

A entrada de Marcelo Crivella na disputa pelo Senado adiciona um novo elemento de complexidade à corrida eleitoral no Rio de Janeiro. O ex-prefeito, que já ocupou uma cadeira no Senado entre 2003 e 2016 e atualmente exerce o mandato de deputado federal, possui um capital político consolidado que pode alterar o equilíbrio de forças entre os pré-candidatos já estabelecidos.

A lista de nomes que buscam a vaga ao Senado inclui figuras de diversos espectros ideológicos, como os deputados federais Carlos Jordy (PL), Benedita da Silva (PT) e Pedro Paulo (PSD), além do prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella (União Brasil), e a vereadora Monica Benício (PSOL). Com a liminar, a disputa ganha um contorno de incerteza, uma vez que a decisão de Mendonça é provisória e o plenário do TSE ainda deverá se debruçar sobre o mérito do caso em uma data futura.

O papel da Justiça Eleitoral

A decisão de Mendonça reforça o papel da Justiça Eleitoral em ponderar a proteção da normalidade das eleições com o direito à elegibilidade. O ministro ressaltou que, embora a punição por abuso de poder seja um instrumento legítimo, a execução imediata da pena em casos onde há controvérsia jurídica exige cautela. O Tribunal Superior Eleitoral permanece como a instância definitiva para dirimir se a condenação será mantida ou se a candidatura de Crivella seguirá sem impedimentos jurídicos até o dia do pleito.

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