Em uma reviravolta que lança luz sobre a gestão de projetos de infraestrutura durante a administração de Donald Trump, promotores federais dos Estados Unidos declararam que os danos no recém-reformado espelho d’água do Memorial Lincoln, um dos cartões-postais mais emblemáticos de Washington, foram causados por uma obra “malfeita” e não por atos de vandalismo, como alegado anteriormente pelo ex-presidente.
A revelação, feita na sexta-feira, 31 de julho de 2026, por Jeanine Pirro, procuradora federal em Washington e aliada de longa data de Trump, contradiz diretamente as afirmações repetidas do então presidente de que o revestimento descascado da piscina era resultado de depredação. A promotoria pediu a retirada da acusação de crime grave contra David Hearn, um ex-canoísta olímpico que havia sido detido sob a alegação de arrancar um pedaço do revestimento.
A Contradição Oficial e o Ícone Nacional
O espelho d’água do Memorial Lincoln, um marco histórico construído na década de 1920, passou por uma restauração neste ano, por meio de um contrato sem licitação no valor de US$ 14,7 milhões (equivalente a cerca de R$ 75 milhões). Este projeto fazia parte dos planos ambiciosos de Trump para remodelar a capital dos EUA. No entanto, o novo revestimento azul da piscina começou a descascar apenas dois dias após a conclusão da obra.
Inicialmente, o Departamento do Interior teria atribuído falsamente os danos a atos de vandalismo, uma narrativa que foi ecoada pela própria procuradora Pirro em julho, quando anunciou a acusação formal de Hearn. Naquela ocasião, ela mencionou possuir “provas tremendas” e que o acusado poderia enfrentar até dez anos de prisão. A mudança de postura da promotoria é um indicativo da seriedade das novas evidências.
O Contrato Milionário e a Execução Questionável
A investigação interna da promotoria revelou que o Departamento do Interior havia concedido um contrato sem licitação à Atlantic Industrial Coatings, uma pequena empresa da Virgínia que trabalhava pela primeira vez para o governo. Trump havia afirmado inicialmente ter escolhido a empresa pessoalmente, alegando que ela havia reparado uma piscina em um de seus clubes de golfe, embora mais tarde tenha voltado atrás nessa declaração.
Pirro afirmou que seus promotores foram enganados pelo Departamento do Interior, que escondeu o fato de que o revestimento começou a descascar tão rapidamente. A alegação de que “quase todos os danos” foram causados por vândalos foi desmentida quando os promotores visitaram a piscina e constataram que o revestimento estava descascando em muitos lugares, inclusive distantes da borda onde Hearn supostamente esteve. A pressa para concluir o projeto antes dos eventos associados à celebração do “America 250” em 4 de julho (Dia da Independência nos EUA) também foi apontada como um fator contribuinte para a instalação falha. Para mais informações sobre a estrutura e funcionamento do governo federal, acesse o portal oficial do governo dos EUA.
Acusações Retiradas e o Impacto Legal
A moção de Pirro ao tribunal para retirar as acusações contra Hearn é um documento notável, que detalha uma acusação contra um projeto que a administração Trump havia defendido como um sucesso. Hearn, que se declarou inocente no mês passado, era a única pessoa a enfrentar uma acusação de crime grave relacionada às alegações de vandalismo.
Embora outras seis pessoas tenham sido presas sob acusações de vandalismo (três delas por contravenção de destruição de propriedade abaixo de US$ 1.000), o destino de seus casos permanece incerto. Os advogados de Hearn afirmaram que as acusações nunca deveriam ter sido feitas e que a retirada delas “não apaga o abuso de poder governamental ao prender e acusar um americano patriota que não fez nada de errado”. Eles exigem um pedido de desculpas formal do governo.
Repercussão e o Legado de um Projeto Controverso
A Casa Branca não respondeu imediatamente aos pedidos de comentário sobre o assunto. O espelho d’água foi esvaziado e cercado para inspeção e reparos, com previsão de reabertura apenas em 10 de agosto. Este episódio levanta questões importantes sobre a transparência em contratos governamentais e a responsabilidade na gestão de bens públicos de tamanha importância histórica e cultural.
Para os cidadãos, a confiança nas informações oficiais e na integridade dos projetos públicos é fundamental. O caso do espelho d’água do Lincoln Memorial serve como um lembrete da importância da fiscalização e da apuração jornalística para garantir que a verdade prevaleça, mesmo diante de narrativas políticas. O Diário Global continua a acompanhar os desdobramentos deste e de outros temas relevantes, oferecendo aos leitores uma cobertura aprofundada e contextualizada. Mantenha-se informado com a credibilidade e a variedade de temas que só o Diário Global pode oferecer.
