A atuação da deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) na Câmara dos Deputados foi alvo de severas críticas por parte de seu ex-assessor, o economista David José Pereira Deccache. Em uma série de publicações nas redes sociais, Deccache descreveu a parlamentar como uma “influencer brilhante”, mas uma “péssima parlamentar”, levantando questionamentos sobre a dedicação e o desempenho da deputada em suas funções legislativas e de liderança partidária.
As declarações de Deccache, que trabalhou diretamente com Erika Hilton, trouxeram à tona um debate importante sobre as diferentes demandas e responsabilidades entre a vida de um influenciador digital e a de um legislador. Segundo o economista, a deputada se destacaria na primeira função, mas falharia na segunda. “Ela é uma influencer de redes sociais brilhante e da mais alta importância, fundamental na luta contra a escala 6×1, mas é péssima como parlamentar”, afirmou Deccache em sua postagem, ressaltando que ser um bom parlamentar exige dedicação, estudo e trabalho nos bastidores, atividades que, embora não gerem “likes” ou glamour, são cruciais para a atuação institucional.
O desafio da liderança e a reforma tributária
Um dos pontos centrais da crítica de Deccache reside na atuação de Erika Hilton como líder do PSOL na Câmara dos Deputados. O ex-assessor alegou que a deputada era inacessível e demonstrava pouco interesse em aprofundar-se nas matérias em tramitação. Ele citou especificamente a reforma tributária, uma das pautas mais complexas e importantes do Congresso, como exemplo de sua alegada falta de envolvimento. “Ela nunca estudou uma nota técnica sobre esse tema, nem sequer queria saber do que se tratava, quais eram as polêmicas, quais eram as possibilidades. Nunca participou de absolutamente nada. Total descaso com suas responsabilidades como líder”, pontuou Deccache.
Ainda segundo o economista, as responsabilidades inerentes à liderança da bancada do PSOL acabavam sendo assumidas por outros parlamentares do partido. Ele mencionou a construção de emendas, a participação em reuniões estratégicas e a articulação política como tarefas que, na prática, eram conduzidas por colegas. Registros da Câmara dos Deputados corroboram parcialmente essa afirmação, mostrando que, em momentos cruciais, como a votação do pacote fiscal em dezembro de 2024, deputados como Tarcísio Motta (PSOL-RJ) e Sâmia Bomfim (PSOL-SP) assumiram a defesa de propostas formalmente apresentadas em nome de Hilton, que não se manifestou.
Trajetória e desafios de Erika Hilton na Câmara
Erika Hilton ingressou na Câmara dos Deputados em 2023, marcando um momento histórico ao se tornar, ao lado de Duda Salabert, uma das primeiras mulheres transsexuais eleitas para a Casa Baixa. Sua chegada ao Congresso foi vista como um avanço na representatividade e na luta por direitos de minorias. Durante seu mandato, a deputada ganhou destaque por sua defesa da pauta do fim da escala de trabalho 6×1, uma bandeira importante para diversos setores da sociedade.
No entanto, sua trajetória também foi marcada por controvérsias. A eleição de Hilton para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher gerou forte reação em setores conservadores, que questionaram sua adequação ao cargo. As críticas de Deccache, portanto, inserem-se em um contexto mais amplo de escrutínio sobre a performance e o papel de parlamentares que chegam ao Congresso com forte apelo midiático e social, mas que precisam conciliar essa visibilidade com as exigências técnicas e políticas do trabalho legislativo.
O papel do parlamentar e a expectativa pública
A discussão levantada pelo ex-assessor de Erika Hilton ressalta a complexidade do mandato parlamentar e as expectativas que recaem sobre os eleitos. A transição de uma figura pública com grande engajamento nas redes sociais para a arena legislativa exige não apenas carisma e capacidade de comunicação, mas também um profundo conhecimento das leis, dos trâmites regimentais e das nuances políticas. A eficácia de um deputado, muitas vezes, é medida pela sua capacidade de articular, negociar e influenciar nos bastidores, em um trabalho que raramente ganha os holofotes da mídia ou as interações das plataformas digitais.
As críticas de Deccache podem, assim, fomentar uma reflexão sobre como a sociedade e os próprios partidos avaliam o desempenho de seus representantes. Em um cenário onde a visibilidade online é cada vez mais valorizada, a capacidade de traduzir essa influência em resultados concretos no Legislativo torna-se um desafio crucial para muitos políticos contemporâneos. A Gazeta do Povo, veículo que publicou a notícia original, informou ter entrado em contato com o gabinete da deputada Erika Hilton, que ainda não se manifestou sobre as acusações. Para mais informações sobre o funcionamento do legislativo, clique aqui.
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