Crise de saúde e transferência hospitalar
A ativista iraniana Narges Mohammadi, laureada com o Prêmio Nobel da Paz, foi transferida às pressas da prisão de Zanjan para um hospital local nesta sexta-feira (1º). A transferência ocorreu após uma deterioração severa de seu quadro clínico, marcada por episódios de perda de consciência que acenderam um alerta internacional sobre as condições de seu encarceramento.
Segundo a Fundação Narges, a ativista enfrentava 140 dias de detenção arbitrária, período no qual teria sido privada de acesso a cuidados médicos especializados. A situação atingiu um ponto crítico quando a ativista desmaiou duas vezes em um único dia, forçando as autoridades prisionais a autorizarem a remoção para uma unidade hospitalar externa.
Negligência médica e histórico de riscos
O advogado da ativista, Mostafa Nili, relatou que a equipe médica da penitenciária admitiu a incapacidade de tratar as complicações cardíacas e pulmonares de Mohammadi. Inicialmente, a ativista resistiu à transferência para hospitais em Zanjan, temendo pela segurança do procedimento devido ao seu histórico médico complexo, que inclui a realização de três angiografias e a necessidade de monitoramento por sua equipe de confiança.
A gravidade do quadro foi confirmada por um neurologista, que determinou a internação imediata. Diante do risco iminente, a Comissão Médico-Legal da província de Zanjan recomendou a suspensão temporária de sua pena por um mês, permitindo que ela receba o tratamento adequado fora do ambiente carcerário.
Repercussão internacional e histórico de perseguição
O Comitê do Prêmio Nobel da Paz, que em 2023 reconheceu a trajetória de Mohammadi na defesa dos direitos das mulheres no Irã, manifestou profundo alarme com o estado de saúde da ativista. A organização tem pressionado por garantias de que ela receba assistência médica digna e segura.
A trajetória de Narges Mohammadi é marcada por constantes confrontos com o regime clerical iraniano. Detida mais de dez vezes ao longo de sua vida, ela acumula condenações que totalizam 31 anos de prisão e 154 chibatadas. Sua prisão mais recente ocorreu em dezembro de 2025, durante uma cerimônia em memória de um advogado na cidade de Mashhad, interrompendo um breve período de liberdade condicional concedido por motivos de saúde.
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O caso de Mohammadi ilustra os desafios enfrentados por defensores de direitos humanos em regimes autoritários. O Diário Global segue acompanhando os desdobramentos desta situação e o impacto das pressões internacionais sobre o governo iraniano. Para se manter informado sobre este e outros temas de relevância mundial, continue acompanhando nossa cobertura diária, pautada pela transparência e pelo compromisso com o jornalismo de qualidade.
