Especialistas descartam alarme com a febre do Nilo Ocidental no Brasil

Especialistas descartam alarme com a febre do Nilo Ocidental no Brasil

Saúde

A confirmação de casos de febre do Nilo Ocidental em diferentes regiões do Brasil tem gerado questionamentos sobre o risco de uma nova epidemia. No entanto, especialistas reforçam que, embora a doença exija atenção das autoridades sanitárias, não há motivo para alarme entre a população. O vírus, que circula há décadas na África, apresenta um perfil de transmissão distinto das arboviroses mais comuns no país, como a dengue e a zika.

Perfil clínico e a baixa taxa de gravidade

Segundo Furtado da Costa, médico infectologista do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, a grande maioria dos infectados apresenta quadros leves ou é completamente assintomática. Estima-se que apenas 20% das pessoas que contraem o vírus desenvolvam manifestações clínicas. Deste grupo, menos de 1% evolui para as formas graves da doença, que podem incluir complicações neurológicas severas, como encefalite ou meningite.

O especialista destaca que o vírus é um arbovírus, integrante da mesma família de patógenos que causam a febre amarela e a chikungunya. A transmissão ocorre primariamente pela picada do mosquito do gênero Culex, popularmente conhecido como pernilongo ou muriçoca, que atua como vetor após se alimentar de aves infectadas. É importante ressaltar que o contato direto com aves não é a via de transmissão para humanos, sendo o mosquito o elo indispensável nesse ciclo.

Vigilância e monitoramento de casos

O estado de São Paulo registrou recentemente seus primeiros casos humanos da doença, envolvendo uma mulher de 34 anos, em Ribeirão Preto, e uma adolescente de 18 anos, em São José do Rio Preto. Enquanto a primeira paciente já se encontra curada, a segunda segue sob cuidados médicos. O Centro de Vigilância Epidemiológica Prof. Alexandre Vranjac (CVE-SP) informou que as equipes estaduais e municipais estão em campo para identificar o local provável de infecção e intensificar as ações preventivas.

Além de São Paulo, o Ministério da Saúde monitora ocorrências em outros estados, como Santa Catarina, que registrou dois casos — um deles evoluindo para óbito — e o Piauí, que investiga um caso provável. A orientação oficial é manter a vigilância voltada para a mortalidade de aves em áreas urbanas, que pode servir como um indicador precoce da circulação viral no ambiente.

Tratamento e ausência de vacina

Atualmente, não existem vacinas ou tratamentos antivirais específicos para a febre do Nilo Ocidental. A abordagem médica concentra-se no suporte ao paciente, com foco na hidratação, repouso e controle dos sintomas. Em quadros mais graves, a internação hospitalar torna-se necessária para garantir suporte respiratório e monitoramento neurológico constante.

O infectologista Furtado da Costa explica que o desenvolvimento de uma vacina específica ainda não é uma prioridade global devido à baixa incidência da doença em comparação com outras arboviroses. O diagnóstico, por sua vez, é realizado por meio de avaliação clínica detalhada e exames laboratoriais, especialmente em pacientes que apresentam histórico de exposição a áreas com alta densidade de mosquitos. Para mais informações sobre a situação epidemiológica no país, acesse o portal da Agência Brasil.

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