O número de vítimas fatais decorrentes dos deslizamentos de terra na região fronteiriça entre o Nepal e a China atingiu a marca de 768 neste domingo (30). A tragédia, que completa quatro dias, mobiliza equipes de resgate em uma corrida contra o tempo e contra as condições meteorológicas adversas. Até o momento, 752 corpos foram recuperados em território nepalês, enquanto outros 16 foram localizados no Tibete. O cenário é de devastação, com mais de 3.000 pessoas ainda listadas como desaparecidas sob camadas de lama e escombros de infraestruturas destruídas.
Desafios logísticos e riscos de novas inundações
As operações de busca enfrentam obstáculos severos. Desde a última sexta-feira (28), os trabalhos foram interrompidos diversas vezes devido ao mau tempo e ao risco iminente de novas inundações. A preocupação central das autoridades é o transbordamento de um lago formado pelo desastre, que ameaça os rios Lhende Khola e Trishuli. A polícia local relatou que moradores e equipes de resgate precisaram buscar refúgio em áreas elevadas após a elevação repentina do nível das águas entre sábado (29) e domingo.
As vítimas foram encontradas em meio aos restos de edifícios, estradas e pontes que não resistiram à força das enchentes iniciadas no último dia 26. A situação de calamidade forçou as autoridades a iniciarem o sepultamento de corpos não identificados, uma medida preventiva necessária diante dos riscos de saúde pública causados pela rápida decomposição dos corpos em áreas de difícil acesso.
O impacto das mudanças climáticas no Himalaia
Embora a causa exata do colapso ainda esteja sob investigação, o ministro das Relações Exteriores do Nepal, Shisir Khanal, destacou a vulnerabilidade do país. O chanceler enfatizou que, apesar de o Nepal ser responsável por menos de 0,01% das emissões globais de gases de efeito estufa, a nação figura entre as principais vítimas das alterações no clima global. O aquecimento das temperaturas no Himalaia tem acelerado o degelo, alterando a estabilidade geológica da região.
Cientistas, como Simon Cox, do programa Earth Sciences New Zealand, explicam que o aquecimento global reduz a sustentação fornecida pelo gelo e altera os ciclos de congelamento e descongelamento. Esse processo desestabiliza rochas e geleiras, tornando desabamentos de grande escala mais frequentes. A mídia estatal chinesa corroborou essa visão, classificando o evento como uma característica alarmante dos desastres na criosfera do planalto tibetano, exacerbada pelo aquecimento global de longo prazo.
Repercussão internacional e fragilidade ambiental
O chefe da ONU para o clima, Simon Stiell, classificou o desastre como um lembrete devastador da fragilidade dos ecossistemas montanhosos. Em comunicado, Stiell reforçou que a queima de combustíveis fósseis, como carvão, petróleo e gás, torna tragédias dessa magnitude mais prováveis e graves em diversas partes do mundo. A comunidade internacional observa com atenção os desdobramentos, enquanto o Nepal e a China tentam coordenar esforços de assistência em uma zona de fronteira marcada pela instabilidade.
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