A corrida eleitoral de 2026 entra em uma fase decisiva com a proximidade do encerramento das convenções partidárias, previsto para esta quarta-feira (5). O cenário político nacional, especialmente no que tange às chapas presidenciais de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Romeu Zema (Novo-MG), ainda apresenta lacunas estratégicas importantes. Embora a legislação eleitoral estabeleça o dia 15 de agosto como o prazo limite para o registro oficial das candidaturas junto à Justiça Eleitoral, a pressão por definições de nomes para a vice-presidência e para o Senado movimenta os bastidores de Brasília e dos estados.
Estratégia de gênero e alianças na chapa do PL
A campanha de Flávio Bolsonaro busca consolidar uma aliança que amplie seu tempo de propaganda no rádio e na televisão. A escolha de uma mulher como vice é tratada como um movimento estratégico para atrair o eleitorado feminino, especialmente após siglas do Centrão, como União Brasil, Progressistas e MDB, optarem pela neutralidade no primeiro turno. A impossibilidade de contar com a senadora Tereza Cristina (PP-MS) forçou o PL a buscar alternativas em outras legendas ou dentro de seus próprios quadros.
Entre as possibilidades discutidas, o Podemos, presidido pela deputada federal Renata Abreu (Podemos-SP), surge como uma opção de aliança. Paralelamente, o Republicanos, embora tenha sinalizado proximidade com o PL em São Paulo, deve manter a neutralidade na disputa presidencial, conforme indicado pelo deputado federal Marcos Pereira (Republicanos-SP). Caso as negociações com partidos aliados não avancem, o PL avalia nomes internos, como a deputada federal Júlia Zanatta (PL-SC) e a vereadora Priscila Costa (PL-CE), além da possibilidade de compor com os senadores Rogério Marinho (PL-RN) ou Marcos Pontes (PL-SP).
O cenário do Novo e a busca por unidade
No campo do Partido Novo, a tendência é a formação de uma chapa “puro-sangue” para a Presidência, encabeçada por Romeu Zema. A sigla trabalha com nomes como o do senador Eduardo Girão (Novo-CE) e do cientista político Felipe D’Avila. A definição, contudo, permanece em aberto, com a possibilidade de ser postergada para além do período de convenções, aproveitando o prazo final de registro em agosto. A busca por um nome que dialogue com a base conservadora é o norte das articulações de Zema, que chegou a considerar o ex-ministro do STF Joaquim Barbosa, hipótese descartada por impasses internos no Democracia Cristã.
Impactos regionais nas disputas ao Senado
As movimentações nacionais refletem diretamente nos estados, onde desistências de peso alteraram o tabuleiro eleitoral. No Paraná, a saída do ex-senador Alvaro Dias (MDB-PR) da disputa abriu caminho para que o grupo do governador Ratinho Junior (PSD-PR) articulasse o nome da jornalista Cristina Graeml (PSD-PR) para a segunda vaga ao Senado. Em Minas Gerais, a desistência do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) por motivos pessoais gerou uma reconfiguração nas alianças de direita. Com a saída de Cleitinho, o ex-secretário Marcelo Aro (PP-MG) é cotado para migrar da disputa ao Senado para a corrida ao Executivo estadual, impactando a composição das chapas mineiras.
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