Estudo revela alta proteção da vacina Qdenga contra dengue e hospitalizações em adolescentes

Estudo revela alta proteção da vacina Qdenga contra dengue e hospitalizações em adolescentes

Saúde

A luta contra a dengue, uma doença que anualmente impõe um pesado fardo à saúde pública brasileira, ganhou um novo e significativo reforço. Um estudo recente, conduzido durante as epidemias de 2024 e 2025 no estado de São Paulo, trouxe dados promissores sobre a efetividade da vacina Qdenga, desenvolvida pelo laboratório Takeda. A pesquisa aponta que o imunizante oferece alta proteção contra hospitalizações em adolescentes, com um dado ainda mais relevante: a eficácia se mantém mesmo após a aplicação de apenas uma dose.

Essas descobertas são cruciais para aprimorar as estratégias de vacinação e otimizar o combate à doença, que tem apresentado picos preocupantes em diversas regiões do país. A validação da proteção em condições de “vida real” é um passo fundamental para consolidar a confiança na vacina e expandir seu alcance.

Avanços na proteção contra a dengue: o estudo da Qdenga

O estudo em questão acompanhou o desempenho da vacina Qdenga na chamada fase 4 de testes, um período pós-registro onde a avaliação ocorre em larga escala, com o imunizante já em circulação. Essa etapa é vital para coletar dados mais robustos sobre efetividade, possíveis efeitos colaterais e dosagem em um universo de participantes muito maior do que os ensaios clínicos iniciais.

A pesquisa analisou 166.390 testes de dengue realizados em adolescentes com idades entre 10 e 15 anos, no período de 20 de fevereiro de 2024 a 31 de dezembro de 2025. Desses, 65.365 resultados foram positivos e 101.025 negativos. Ao relacionar esses resultados com os registros de vacinação, os pesquisadores empregaram o método caso-controle test-negativo, uma técnica reconhecida para estimar a efetividade de vacinas em condições de uso real.

Os resultados foram animadores: entre os adolescentes que receberam as duas doses recomendadas, a efetividade estimada da vacina Qdenga contra hospitalizações pela doença atingiu impressionantes 87,9%. Contra a dengue sintomática confirmada por teste de antígeno, a proteção foi de 73,1%. Além disso, o imunizante demonstrou proteção contra o sorotipo 3 da doença, que teve pouca circulação até o ano passado, mas representa uma ameaça potencial em futuras epidemias.

Eficácia da dose única e durabilidade da proteção

Um dos achados mais impactantes do estudo é a proteção significativa observada em adolescentes que receberam apenas uma dose da vacina. Para este grupo, a efetividade foi de 59,2% contra a doença sintomática e 74,6% contra hospitalizações. Este dado é particularmente relevante em contextos de alta demanda por vacinas ou em regiões com desafios logísticos para a aplicação de esquemas de múltiplas doses.

Uma análise anterior do mesmo grupo de pesquisa havia levantado a possibilidade de que a proteção da primeira aplicação pudesse diminuir após cerca de 90 dias. Contudo, com um período de acompanhamento estendido, os pesquisadores não encontraram evidências dessa redução. Pelo contrário, a efetividade contra dengue sintomática foi estimada em 74% entre 270 e 364 dias após a primeira dose, e subiu para 77% a partir de 365 dias. A proteção contra hospitalização também se manteve robusta ao longo de todo o período analisado, indicando uma durabilidade promissora da resposta imune.

A relevância dos estudos de “vida real” para a saúde pública

Julio Croda, um dos autores do estudo, ressalta a importância desses resultados para a compreensão completa do perfil de uma vacina. Ele explica que as análises realizadas após o registro de um imunizante fornecem informações adicionais que não são obtidas nos ensaios clínicos de fase 3, que são usados para a aprovação inicial.

“Na fase três, nós temos um grupo muito menor de pessoas. Portanto, ainda que se constate a eficácia contra a doença sintomática, não é possível precisar hospitalização, efeitos adversos raros e até mesmo benefícios menos perceptíveis na amostra”, afirma Croda. Enquanto os ensaios clínicos pré-registro da Qdenga envolveram cerca de 20 mil pessoas, a nova análise utilizou dados de mais de 166 mil testes de dengue. Esse número significativamente maior de participantes aumenta a precisão das estimativas e permite observar eventos menos frequentes, oferecendo uma visão mais abrangente da performance da vacina em cenários reais.

Esses dados reforçam a importância da vigilância pós-comercialização e da pesquisa contínua para otimizar o uso de ferramentas de saúde pública. A capacidade de uma dose única de oferecer proteção duradoura contra hospitalizações pode revolucionar as campanhas de vacinação, permitindo uma cobertura mais rápida e eficiente em momentos de surtos ou epidemias.

Para mais informações sobre a vacina Qdenga e as diretrizes de vacinação contra a dengue no Brasil, consulte fontes oficiais como o Ministério da Saúde.

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