Anvisa proíbe comercialização de produtos da marca United Labz no Brasil

Anvisa proíbe comercialização de produtos da marca United Labz no Brasil

Saúde

Medida cautelar veta circulação de itens da marca

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a proibição total da comercialização, fabricação, importação, armazenamento e propaganda de todos os produtos vinculados à marca United Labz. A resolução, publicada no Diário Oficial da União, estende o veto ao transporte e ao uso das substâncias em território nacional, reforçando o controle sobre o mercado irregular de medicamentos.

De acordo com o órgão regulador, a decisão foi motivada pela ausência de registro, notificação ou cadastro sanitário dos produtos. A agência identificou que os itens são fabricados por uma empresa sem identificação oficial no Brasil, o que impede a garantia de segurança, eficácia e qualidade exigidas para qualquer fármaco disponível ao consumidor brasileiro.

O mercado paralelo de emagrecedores

A United Labz opera por meio de um site onde se autodenomina uma companhia sediada em Delaware, nos Estados Unidos. A plataforma concentra sua oferta em substâncias voltadas ao controle de peso, com destaque para a tirzepatida e a retatrutida. Em seu portal, a empresa alega seguir “rigorosamente” as normas da Anvisa, uma afirmação que é contestada pela própria agência ao classificar os produtos como irregulares.

A tirzepatida, princípio ativo do medicamento Mounjaro, possui patente protegida no Brasil pela farmacêutica Eli Lilly. Isso significa que, legalmente, nenhuma outra marca possui autorização para comercializar a molécula no país. O cenário é ainda mais crítico em relação à retatrutida, que ainda se encontra em fase de pesquisas clínicas e não possui aprovação de órgãos reguladores em nenhum lugar do mundo, incluindo a FDA, nos Estados Unidos.

Riscos à saúde e o uso indevido da legislação

Para tentar legitimar sua operação, a United Labz utiliza em seu site a RDC 81/2008 da Anvisa, argumentando que o cidadão brasileiro teria o direito legal de importar medicamentos para uso pessoal mediante prescrição médica. No entanto, especialistas alertam que a importação para uso próprio não exime o produto de passar pelos critérios de segurança e registro sanitário, nem autoriza a venda comercial de substâncias não aprovadas.

A empresa também exibe em seu site uma seção de “Testes de Pureza”, onde alega que seus produtos atingem índices de pureza superiores a 99%. Contudo, a comunidade médica e a indústria farmacêutica alertam para o perigo dessas alegações. Em declarações anteriores, representantes da Eli Lilly reforçaram que substâncias vendidas no mercado clandestino não são medicamentos verificados, mas sim produtos sem procedência, que oferecem riscos severos à saúde de quem os consome.

O Diário Global mantém o compromisso de acompanhar os desdobramentos desta decisão e as ações de fiscalização da Anvisa. Continue acompanhando nosso portal para se manter informado sobre saúde, regulação e os principais fatos que impactam o cotidiano dos brasileiros com credibilidade e profundidade.

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