9.nov.22/Folhapress

Proteção cardiovascular: vacina da Covid-19 reduz risco de infarto e AVC em idosos, diz pesquisa

Saúde

A pandemia de Covid-19, embora tenha tido seu pico de gravidade há alguns anos, continua a ser um desafio de saúde pública, não apenas por suas manifestações respiratórias, mas também por seus impactos sistêmicos. Uma nova pesquisa, publicada na última segunda-feira (15) no renomado periódico JAMA Internal Medicine, traz uma notícia encorajadora: a vacina atualizada contra a Covid-19 demonstrou reduzir significativamente o risco de eventos cardiovasculares graves, como infarto e AVC (acidente vascular cerebral), em pessoas idosas.

O estudo, conduzido por pesquisadores do Departamento de Assuntos de Veteranos dos Estados Unidos e da Universidade Washington em St. Louis, acompanhou mais de 1 milhão de veteranos de guerra americanos. Os resultados apontam para uma redução de aproximadamente 38% no risco de infarto, AVC, insuficiência cardíaca e morte de origem cardiovascular em indivíduos que receberam a vacina contra a Covid-19, em comparação com aqueles que tomaram apenas a vacina da gripe.

Vacina contra Covid e a proteção cardiovascular

Desde os primeiros meses da pandemia, a comunidade científica observou que a Covid-19 não era apenas uma doença respiratória. O vírus SARS-CoV-2 mostrou-se capaz de afetar múltiplos órgãos, incluindo o coração e o sistema vascular, levando a inflamações, tromboses e disfunções endoteliais que podem culminar em eventos cardiovasculares graves. Esta nova pesquisa reforça a compreensão de que a imunização contra o vírus pode oferecer uma camada adicional de proteção contra essas complicações.

Os pesquisadores analisaram os prontuários eletrônicos de veteranos que receberam a vacina da gripe entre setembro e dezembro de 2024. Desse grupo, 349.085 também foram imunizados contra a Covid-19 no mesmo dia. Essa metodologia de comparação foi crucial para mitigar o “viés do vacinado saudável”, que sugere que pessoas que buscam vacinação tendem a ter hábitos de saúde mais rigorosos em geral. As formulações utilizadas incluíram Moderna (65,4%), Pfizer-BioNTech (34,1%) e Novavax (0,5%).

Benefícios mais expressivos para os mais velhos

Um dos achados mais notáveis do estudo foi o benefício acentuado em pessoas com mais de 75 anos. Neste grupo etário, a redução dos eventos cardiovasculares alcançou impressionantes 50,7%. Embora a média de idade dos participantes fosse de 70 anos, e a eficácia tenha sido estatisticamente significativa em subgrupos com e sem comorbidades, o benefício absoluto foi substancialmente maior em indivíduos com doenças pré-existentes, como doença cardiovascular, doença renal crônica, doença pulmonar crônica, diabetes e imunossupressão.

Em termos práticos, o estudo estima que, para cada 10 mil pessoas vacinadas, dois eventos cardiovasculares graves associados diretamente à Covid-19 foram evitados. Ao considerar todos os eventos cardiovasculares, independentemente da ligação direta com a Covid-19, esse número sobe para cerca de 24 eventos evitados para cada 10 mil pessoas. Projetando para uma população de 1 milhão de pessoas, os autores calculam que a vacinação poderia prevenir aproximadamente 1.580 mortes e 2.370 eventos cardiovasculares adversos em um período de oito meses.

Implicações e cautelas na interpretação

Os resultados desta pesquisa têm implicações significativas para as campanhas de saúde pública, especialmente no que diz respeito à importância da vacinação contínua em populações vulneráveis. Em um cenário global onde as doenças cardiovasculares são as principais causas de morbidade e mortalidade, qualquer medida preventiva que possa mitigar esses riscos é de extrema relevância.

No entanto, os pesquisadores também ressaltam a necessidade de interpretar essas projeções com cautela. Por ser um estudo observacional, e ter sido realizado com uma população específica – veteranos americanos, predominantemente brancos, masculinos e com idade avançada – os resultados podem não ser diretamente generalizáveis para todas as demografias. Além disso, os autores pontuam que a eficácia da vacina atual é menor do que a registrada nos primeiros anos da pandemia, um fator atribuído à evolução do vírus e à imunidade adquirida pela população ao longo do tempo. Para mais detalhes sobre a pesquisa, consulte o artigo original em JAMA Internal Medicine.

Apesar das limitações, o estudo reforça a vacinação contra a Covid-19 como uma ferramenta multifacetada de proteção à saúde, que vai além da prevenção de doenças respiratórias agudas. Para o Diário Global, é fundamental continuar acompanhando e informando sobre os avanços científicos que impactam diretamente a qualidade de vida e a saúde de nossa sociedade. Mantenha-se atualizado com as últimas notícias e análises aprofundadas em nosso portal, que se dedica a trazer informação relevante e contextualizada sobre os temas que mais importam para você.

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