A banda BAD LUV acaba de apresentar ao público seu segundo disco de estúdio, intitulado “O MEDO NÃO ME PAROU”. Com nove faixas que mesclam a intensidade do post-hardcore e do metal moderno com melodias marcantes, o trabalho mergulha em letras que abordam sentimentos genuínos e as fragilidades do cotidiano. Em uma entrevista exclusiva, o grupo detalhou as inspirações por trás deste projeto ambicioso e a decisão de investir em uma narrativa musical coesa, desafiando a efemeridade do mercado atual.
Em um cenário onde a velocidade do consumo digital muitas vezes prioriza singles e conteúdos curtos, a BAD LUV optou por um caminho que valoriza a experiência completa do álbum. A escolha reflete não apenas a visão artística da banda, mas também um desejo de reconectar os ouvintes com a profundidade que um trabalho conceitual pode oferecer.
A aposta em um álbum completo na era dos singles
A decisão de lançar um álbum completo, em vez de focar apenas em singles, é uma declaração de intenção da BAD LUV. Para o baixista João Bonafé, entregar uma obra conceitual e multifacetada é uma forma de resistir ao dinamismo acelerado das plataformas digitais e das redes sociais.
“A gente está ali forçando essa barra mesmo, porque é importante absorver a arte de uma maneira mais profunda e mais completa possível. Hoje em dia está tudo tão superficial, né. Então, as coisas chegam a passar despercebidas de tão rápido que algumas coisas vão. Acho que um disco ele ajuda a contar a história melhor, mais detalhado”, explica Bonafé, ressaltando a importância de uma escuta mais atenta e engajada.
O vocalista Caio Weber complementa, afirmando que a escolha é um reflexo direto do modo como os próprios integrantes da banda consomem música, servindo como uma alternativa ao imediatismo da indústria. “Eu acho que é uma forma também da gente, de certa maneira, educar a nossa comunidade ali, as pessoas que se identificam com a nossa música, a recuperarem esse costume aí, que por algum momento ficou meio perdido”, pontua Weber.
Ele observa que, especialmente após a pandemia, muitas pessoas buscaram conteúdos mais profundos, e um álbum, por sua natureza, oferece essa profundidade de forma mais consistente do que um EP ou um single. Caio ainda revela a naturalidade do processo criativo: “Pra ser sincero, eu acho que a gente nem chegou a cogitar fazer um outro trabalho que não fosse um novo álbum. Já estava meio intrínseco. Quando a gente fez o primeiro, a gente falou: beleza, vamos fazer o segundo agora.”
Apesar da aposta no formato completo, o grupo construiu a chegada do trabalho de forma estratégica. Antes do lançamento do álbum, a banda divulgou dois singles, “Sonho Bom” em abril e “Sinto Sua Falta”, preparando o terreno para a chegada de “O MEDO NÃO ME PAROU” e demonstrando a profundidade das mensagens que desejavam transmitir.
O MEDO NÃO ME PAROU: reflexões sobre ansiedade e superação
O título do novo registro da BAD LUV, “O MEDO NÃO ME PAROU”, encapsula conflitos pessoais, jornadas de superação e o desafio de manter um projeto artístico ativo diante das incertezas e das distâncias geográficas que por vezes separam os integrantes. Caio Weber compartilha como a rotina e a ascensão do grupo impulsionaram reflexões sobre ansiedade e a importância de viver o presente.
“Quando eu entrei, a gente já começou a fazer as coisas muito rapidamente. De repente, um anseio ou medo que eu tinha é de que aquilo poderia acabar a qualquer momento. Eu tive que lutar muito contra a minha auto-sabotagem. Mas esse medo do futuro se transformou numa apreciação pelo presente. Parece que quanto menos eu penso no futuro e mais nas coisas que estão acontecendo, mais a gente vai construindo juntos um futuro próspero”, relata o vocalista, evidenciando a transformação de uma preocupação em uma força motriz.
Para o guitarrista Gee Rocha, as nove faixas do álbum funcionam como um espelho das tensões e vulnerabilidades da vida moderna. “A gente vive numa sociedade que deixa todo mundo cada vez mais doente. As pessoas cada vez menos têm tempo pra cuidar de si mesmas, pra olhar pra dentro, pra tratar as próprias feridas. Eu acho que esse álbum fala muito disso”, afirma Rocha, conectando a temática do disco a um problema social contemporâneo.
Gee também enfatiza a virada de chave necessária para não se deixar paralisar pelas adversidades. “Diversas vezes na minha vida o medo me atrapalhou, mas é você entender e ir: se tiver medo, vai com medo mesmo e segue em frente. Por isso a gente botou esse título no álbum”, explica, revelando a filosofia por trás do nome. A mensagem central do álbum é reforçada na faixa-título com o verso “Não deixo a vida me levar, sou eu quem levo ela”, que Caio define como essencial para o cotidiano, especialmente na luta contra a ansiedade que se manifesta cada vez mais forte na sociedade atual. “Talvez esse momento ideal que muitas pessoas esperam pra fazer as coisas nunca exista. É essa luta constante contra essa ansiedade que a gente vive cada vez de uma maneira mais forte”, conclui.
Colaborações de peso: Badauí e Luccas Carlos
Entre as colaborações que enriquecem “O MEDO NÃO ME PAROU”, destaca-se a participação de Badauí, vocalista do CPM 22, na faixa “Dias Difíceis”. Essa parceria é celebrada como uma ponte com a escola clássica do hardcore nacional, um gênero que influenciou profundamente a formação musical dos integrantes da BAD LUV.
“Pra coroar o nosso trampo, é tipo a bênção do mais velho ali. Se não fosse CPM, acho que nenhum de nós estaria sonhando com uma parada parecida. O CPM abriu muito caminho pra galera do nosso rolê, então é uma honra ter um cara desse. É a cereja do bolo”, afirma João Bonafé, sublinhando o respeito e a admiração pela banda que ajudou a pavimentar o cenário do rock alternativo no Brasil. Além de Badauí, o álbum também conta com a colaboração de Luccas Carlos, conforme indicado no título da entrevista original, adicionando outra camada de diversidade sonora e criativa ao projeto.
“O MEDO NÃO ME PAROU” não é apenas um conjunto de músicas, mas uma jornada sonora e lírica que convida o ouvinte a confrontar suas próprias vulnerabilidades e a encontrar a força para seguir em frente. A BAD LUV, com este trabalho, reafirma seu compromisso com a arte que provoca reflexão e oferece um espelho para as complexidades da vida moderna.
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