O Senado dos Estados Unidos iniciou uma ofensiva legislativa para consolidar, de forma permanente, o bloqueio à entrada de veículos fabricados na China no mercado americano. A iniciativa, que ganha contornos de urgência nesta semana, ocorre em um momento diplomático sensível, marcado pela visita do líder chinês Xi Jinping a Washington para encontros com o presidente Donald Trump.
A articulação é conduzida pela senadora democrata Elissa Slotkin, de Michigan, e pelo republicano Bernie Moreno, de Ohio. O objetivo central da dupla é submeter o projeto ao chamado consentimento unânime do Senado, um mecanismo que visa acelerar a tramitação da proposta, que já conta com o apoio de 51 parlamentares. O texto, intitulado Connected Vehicle Security Act of 2026, busca elevar o patamar de proteção do mercado interno contra a influência tecnológica de Pequim.
Segurança nacional e o controle de dados sensíveis
O cerne da proposta reside na preocupação com a segurança nacional e a integridade de dados. Atualmente, as restrições vigentes baseiam-se em uma regulamentação federal adotada em 2025, que veda a circulação de veículos e tecnologias conectadas com vínculos na China e na Rússia. A justificativa técnica aponta que sistemas modernos — equipados com Bluetooth, Wi-Fi, GPS e conexão celular — possuem capacidade de coletar informações sensíveis dos motoristas e infraestruturas críticas dos Estados Unidos.
Ao transformar essas diretrizes em lei, o Congresso busca blindar a medida contra futuras alterações unilaterais da Casa Branca. Segundo informações da Reuters, o projeto retira do Executivo a autonomia para conceder exceções que permitiriam a fabricantes chinesas contornar o bloqueio comercial, estabelecendo um padrão rígido de conformidade para o setor.
Pressão industrial e o embate com o Executivo
A movimentação legislativa foi impulsionada por declarações recentes de Donald Trump, que sinalizou abertura para que montadoras chinesas instalassem fábricas em solo americano. A postura do presidente gerou imediata resistência no Legislativo e entre os gigantes do setor automotivo. Seis associações que representam montadoras como General Motors, Ford, Tesla, Toyota, Volkswagen, Hyundai e Stellantis enviaram um apelo formal ao governo, defendendo a manutenção das restrições.
O argumento da indústria é que a entrada de competidores chineses poderia desestabilizar a cadeia de empregos e desencorajar investimentos bilionários já realizados em território americano. Para a senadora Slotkin, o risco vai além da economia: a parlamentar sustenta que a conectividade dos veículos modernos transforma cada carro em um potencial ponto de coleta de inteligência, cujos dados poderiam ser transmitidos diretamente para Pequim, que nega as acusações e critica as barreiras impostas pelos EUA.
O Diário Global segue acompanhando os desdobramentos desta disputa comercial e tecnológica entre as duas maiores potências mundiais. Continue conosco para análises aprofundadas sobre como as decisões tomadas em Washington impactam o cenário geopolítico e a economia internacional.

