Setembro Verde: a doação de órgãos em vida por idosos é possível e segura

Setembro Verde: a doação de órgãos em vida por idosos é possível e segura

Saúde

O mês de setembro, conhecido como Setembro Verde, é dedicado à conscientização sobre a importância da doação de órgãos. Entre os mitos que cercam o tema, a ideia de que a idade avançada impede a doação em vida é uma das que mais gera dúvidas. No entanto, a realidade médica mostra que idosos podem, sim, ser doadores, desde que apresentem condições clínicas adequadas e passem por uma avaliação rigorosa.

A experiência de quem doou vida após os 60 anos

A história de Arivaldo Sampaio ilustra essa possibilidade. Em 2023, aos 69 anos, ele tomou a decisão de doar um de seus rins para o filho, que enfrentava a falência do órgão e dependia de hemodiálise. Após uma bateria de exames no Hospital Universitário de Brasília (HUB), a compatibilidade foi confirmada e o procedimento realizado com sucesso.

Para Arivaldo, o processo foi encarado com naturalidade e gratidão. Três anos após a cirurgia, ele mantém uma rotina ativa, com exercícios físicos regulares como corrida e musculação. O ex-professor da rede pública destaca que o cuidado com a saúde ao longo da vida foi determinante para que pudesse realizar o gesto altruísta com segurança, provando que a longevidade com qualidade é um objetivo alcançável.

Critérios médicos e segurança do doador

A avaliação para doadores vivos é criteriosa, independentemente da idade. O médico nefrologista Geraldo Freitas, da Unidade de Transplantes do HUB, explica que o foco principal é a proteção de quem doa. “Trata-se de uma pessoa saudável que, de forma voluntária, decide ceder um órgão. Nosso objetivo é minimizar os riscos e garantir que o doador siga sua vida com segurança”, afirma.

Quando o candidato à doação tem mais de 60 anos, a investigação clínica torna-se ainda mais detalhada. O protocolo envolve:

  • Avaliação cardiovascular completa.
  • Exames laboratoriais de sangue e urina.
  • Testes de função renal e hepática.
  • Análise de histórico de doenças crônicas como hipertensão e diabetes.

A idade, por si só, não é um fator de exclusão automática. O que os especialistas buscam é um equilíbrio: a ausência de comorbidades que possam comprometer a cirurgia e a certeza de que o doador manterá uma vida saudável com o órgão remanescente.

Legislação e o cenário dos transplantes no Brasil

O Brasil possui uma das legislações mais claras sobre o tema. A doação entre parentes de até o quarto grau, bem como entre cônjuges, pode ser realizada sem a necessidade de autorização judicial. Para casos fora desse círculo familiar, a lei exige um processo de autorização judicial para garantir a ética e a transparência do ato, evitando qualquer tipo de comercialização de órgãos, prática estritamente proibida.

Os dados do Sistema Nacional de Transplantes revelam a urgência do tema. Em 2025, o país alcançou a marca histórica de 4.335 doadores efetivos, uma taxa de 20,3 por milhão de habitantes. Apesar do avanço, a fila de espera ainda conta com 49,4 mil brasileiros, reforçando a importância de campanhas como o Setembro Verde para sensibilizar a sociedade sobre a doação, seja ela em vida ou após o falecimento.

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