Mensagens revelam tratativas entre Hugo Motta e dono do Banco Master

Mensagens revelam tratativas entre Hugo Motta e dono do Banco Master

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Mensagens recuperadas pela Polícia Federal a partir do celular do empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, colocam sob os holofotes a relação entre o executivo e o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB). O conteúdo das conversas, que veio a público nesta segunda-feira (28), sugere uma proximidade incomum entre o parlamentar e o banqueiro, incluindo tratativas sobre um formato de “sociedade” para a aquisição de um terreno de grande valor em João Pessoa, na Paraíba.

Intercâmbio de interesses e proximidade

O material, que integra investigações em curso, aponta que o diálogo entre os dois teria se intensificado a partir de 9 de março de 2024. Nas trocas de mensagens, os interlocutores utilizam termos como “amigo” e “irmão”, evidenciando uma relação de confiança. Em um dos trechos, o presidente da Câmara menciona a negociação de um terreno avaliado em R$ 45 milhões, sugerindo a Vorcaro um “formato de sociedade” que envolveria sua cunhada, que figurava como compradora formal da área.

A operação financeira ganha contornos de complexidade com a informação de que o Banco Master teria concedido um empréstimo de R$ 22 milhões para a familiar do deputado. Segundo os registros periciados, o montante teria sido solicitado diretamente por Motta para viabilizar o negócio, que visava a transformação do terreno em um novo empreendimento imobiliário. Após a conclusão da transação, as mensagens indicam um agradecimento do parlamentar pela “confiança e a parceria”.

Atuação legislativa e favores logísticos

Além das questões imobiliárias, os documentos revelam que o trânsito entre o parlamentar e o setor financeiro incluía demandas sobre pautas legislativas. Em novembro de 2024, Vorcaro teria solicitado auxílio de Motta em relação a um projeto de lei sobre créditos de carbono, recebendo em retorno informações privilegiadas sobre o andamento do texto no Senado. Outro episódio registrado aponta que, em março de 2024, o deputado solicitou um estudo técnico sobre o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), sugerindo um encontro presencial em Brasília para discutir o tema.

A relação também teria ultrapassado os limites da agenda política e financeira. Em 27 de abril de 2024, registros indicam que o dono do Banco Master teria disponibilizado uma aeronave privada para o transporte de Hugo Motta entre Guarulhos e Brasília. A prática, embora comum em certos círculos de poder, levanta questionamentos sobre os limites éticos e a transparência nas relações entre agentes públicos e o setor privado.

Defesa do parlamentar e contexto das investigações

Em nota oficial enviada à imprensa, o presidente da Câmara negou qualquer ilicitude e classificou as conversas como “descontextualizadas”. Motta defendeu sua trajetória de 15 anos na vida pública, afirmando que sempre manteve um diálogo aberto com diversos segmentos da sociedade e do empresariado brasileiro. O parlamentar ressaltou que não houve favorecimento indevido em suas ações.

Sobre o contrato de empréstimo firmado por sua familiar, Motta argumentou que a operação ocorreu em um momento em que não havia conhecimento público sobre as investigações que recaem sobre o Banco Master e seu controlador. O deputado reforçou que confia nos órgãos de controle e se colocou à disposição para que os fatos sejam devidamente apurados pelas autoridades competentes. Para acompanhar os desdobramentos deste e de outros casos que movimentam o cenário político nacional, continue acompanhando o Diário Global, seu portal de referência para uma cobertura jornalística séria, aprofundada e comprometida com a verdade.

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