Senado marca votação decisiva sobre o fim da escala 6x1 para quarta-feira

Senado marca votação decisiva sobre o fim da escala 6×1 para quarta-feira

Politica

O avanço da pauta trabalhista no Senado

O presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP), oficializou a data para a votação, em primeiro turno, da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que propõe o fim da jornada de trabalho de seis dias por um de descanso, conhecida como escala 6×1. O debate, que mobiliza trabalhadores e setores produtivos em todo o país, está agendado para a próxima quarta-feira (14). A decisão ocorre após um período de intensa expectativa e pressão popular sobre a celeridade da tramitação legislativa.

Ao confirmar o agendamento no plenário, Davi Alcolumbre enfatizou que a medida cumpre o compromisso de pautar o tema com a devida responsabilidade, prezando pelo diálogo e pelo estrito respeito ao rito regimental da Casa. A proposta, que já passou pelo crivo da Câmara dos Deputados em maio deste ano, é vista por defensores como um avanço necessário para a qualidade de vida do trabalhador brasileiro, enquanto setores empresariais acompanham com cautela os impactos operacionais da mudança.

Contexto da PEC 221 e mudanças na jornada

A PEC 221, de 2019, estabelece diretrizes que alteram profundamente a estrutura de trabalho atual. O texto prevê a implementação de um descanso remunerado de dois dias por semana, sem que haja qualquer redução nos salários dos colaboradores. Além disso, a proposta estipula a diminuição da carga horária semanal de 44 para 40 horas, com um cronograma de transição de 14 meses para que as empresas se adaptem às novas exigências legais.

Após a aprovação em dois turnos na Câmara, a matéria seguiu para o Senado, onde enfrentou um percurso de idas e vindas. Embora a base do governo tenha tentado acelerar a análise, o texto permaneceu parado por meses sob a gestão de Alcolumbre. O projeto só avançou para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) em agosto, sendo aprovado pelo colegiado em setembro. Contudo, a votação definitiva no plenário foi postergada pelo presidente do Senado, que condicionou o rito ao término do período eleitoral.

Regras de transição e impactos setoriais

A implementação da nova escala não será imediata, contando com um período de adaptação estruturado. A partir de 60 dias após a promulgação da emenda, as empresas deverão assegurar a escala 5×2 e a redução da jornada para 42 horas semanais. Após 12 meses desse primeiro estágio, a carga horária será reduzida para o limite final de 40 horas. O texto também contempla regras específicas para trabalhadores terceirizados da administração pública, que seguirão um modelo de transição diferenciado.

Uma particularidade da proposta diz respeito a profissionais com diploma de ensino superior que percebem remuneração igual ou superior a R$ 21.188,87. Para este grupo, desde que mantida a escala 5×2, a duração do trabalho poderá ser definida por meio de negociação direta entre patrão e empregado. Caso os senadores realizem alterações no texto original durante a votação de quarta-feira, a matéria deverá retornar à Câmara dos Deputados para uma nova rodada de apreciação antes de seguir para promulgação.

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