15.abr.26/Reuters

Ben-gvir: ministro extremista de Israel impulsiona radicalização política

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A política israelense tem sido palco de transformações significativas, e uma das figuras centrais nesse cenário é Itamar Ben-Gvir, o atual Ministro da Segurança Nacional. Conhecido por suas posições ultranacionalistas e controversas, Ben-Gvir tem sido acusado de usar sua pasta para promover uma agenda de radicalização política, gerando críticas tanto dentro quanto fora de Israel.

Recentemente, a celebração de seu 50º aniversário ilustrou bem a natureza de sua gestão. O bolo de aniversário de Ben-Gvir exibia o desenho de uma forca, um símbolo direto de uma de suas principais bandeiras: a pena de morte por enforcamento para palestinos condenados por terrorismo. A imagem provocou forte condenação, ressaltando a polarização que ele representa no cenário político.

A ascensão de um ultranacionalista

Nascido em Mevaseret Zion, a oeste de Jerusalém, e descendente de judeus iraquianos, Itamar Ben-Gvir teve sua formação política durante o levante palestino conhecido como Primeira Intifada (1987-1993). Esse período de intensa agitação marcou sua radicalização e o levou a militar em grupos ultranacionalistas, moldando sua visão de mundo.

Ben-Gvir se identificava, em particular, com o kahanismo, um movimento que defendia a expulsão violenta dos árabes de Israel. Esse grupo foi banido em Israel e chegou a ser classificado como organização terrorista pelos Estados Unidos, evidenciando a natureza extrema de suas convicções. Sua trajetória incluiu a defesa de extremistas judeus acusados de violência contra palestinos, após sua formação em direito. Por anos, ele manteve em sua casa uma fotografia de Baruch Goldstein, o israelense responsável pelo atentado terrorista que matou 29 palestinos em Hebron em 1994, um gesto que sublinha sua ideologia.

O professor de ciência política da Universidade Ben-Gurion do Negev, Guy Ben-Porat, descreve Ben-Gvir como um “neofascista da extrema direita com uma forte posição antiárabe e ideias de superioridade judaica”. Nos anos 1990, ele se opôs veementemente aos Acordos de Oslo, que visavam estabelecer um Estado palestino e encerrar o conflito, chegando a ameaçar o então premiê Yitzhak Rabin na televisão em 1995, semanas antes de Rabin ser assassinado por um extremista israelense.

Da margem ao centro do poder

Durante grande parte de sua carreira, Ben-Gvir foi uma figura marginalizada pela classe política israelense. O próprio primeiro-ministro Binyamin Netanyahu costumava evitar ser visto ao seu lado, esperando que ele descesse do palco antes de subir. No entanto, nos últimos anos, a dinâmica política de Israel permitiu que ele ganhasse crescente relevância.

O fortalecimento de Ben-Gvir veio com um discurso focado em segurança e pró-armas, que ressoou com uma parcela da população. Nas eleições de 2022, seu partido, a Força Judaica, conquistou seis assentos no Knesset, o Parlamento israelense. Embora não fosse um número suficiente para governar sozinho, o sistema político fragmentado de Israel o tornou um ator crucial. Esses seis assentos foram decisivos para Netanyahu formar uma maioria governamental, levando-o a convidar Ben-Gvir para sua coalizão e, em troca, conceder-lhe a pasta da Segurança Nacional. “Foi Netanyahu, no final das contas, quem o legitimou”, observa Ben-Porat.

A ascensão de Ben-Gvir também reflete uma mudança mais ampla no espectro político israelense, com o próprio partido de Netanyahu, o Likud, movendo-se mais à direita. Um indicativo dessa tendência é o aumento do número de membros do Likud que agora aparecem publicamente ao lado de Ben-Gvir, sinalizando uma normalização de discursos e posições antes considerados inaceitáveis.

Políticas controversas e a pena de morte

Uma vez no governo, Itamar Ben-Gvir implementou uma série de medidas endurecidas contra o crime e o terrorismo. Sua gestão tem sido caracterizada por uma política de promoção baseada na lealdade, e não no mérito, segundo especialistas. O ministro também facilitou a aquisição de armas e incentivou a formação de milícias em assentamentos judaicos na Cisjordânia, intensificando a presença e a segurança dos colonos.

A maior “vitória” de sua gestão foi a aprovação da pena de morte pelo Parlamento em março, uma medida que gerou severas críticas de organizações de defesa dos direitos humanos. A oposição a essa lei se baseia, entre outras razões, no fato de que ela pune atentados contra a existência de Israel de maneira discriminatória, sendo aplicada predominantemente a palestinos. Recentemente, após a União Europeia impor sanções contra colonos israelenses na Cisjordânia, Ben-Gvir reagiu de forma contundente, chamando o bloco europeu de antissemita e prometendo continuar a construção de assentamentos no território.

Impacto na política israelense e cenários futuros

Israel deve retornar às urnas até outubro, em um contexto marcado por recentes conflitos em Gaza, no Líbano e no Irã. Caso os partidos de oposição consigam uma vitória, é provável que Ben-Gvir e seu movimento sejam excluídos do governo, o que poderia, temporariamente, devolvê-lo às margens da política. No entanto, o impacto de sua passagem pelo Ministério da Segurança Nacional já é inegável.

Ben-Gvir foi instrumental nas transformações recentes de Israel. “Ele mudou as regras do jogo político ao empurrar o Likud mais à direita e ao fazer da polícia uma instituição mais ideológica”, afirma Ben-Porat. Mesmo que sua influência direta diminua no futuro, o legado de suas políticas e a normalização de discursos radicais já deixaram uma marca profunda na sociedade e na política israelense. Para mais detalhes sobre a política israelense, consulte fontes como BBC News Brasil.

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