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A morte de Niño Guerrero: o fim do líder do Tren de Aragua em operação conjunta

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O cenário do crime organizado na América Latina foi abalado nesta semana com a notícia da morte de Héctor Rusthenford Guerrero Flores, mais conhecido como Niño Guerrero, o temido líder da organização criminosa Tren de Aragua. A ação, anunciada na sexta-feira (12) pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e confirmada por autoridades venezuelanas, marca um ponto de virada na luta contra um dos grupos mais poderosos e violentos da região.

Niño Guerrero, de 42 anos, teria sido neutralizado no sul da Venezuela, durante uma operação descrita por Trump como um “ataque rápido e letal” realizado por forças americanas em “estreita coordenação” com o governo venezuelano. A confirmação de Caracas detalhou que Guerrero foi morto no estado amazônico de Bolívar, em “confrontos com integrantes” de “estruturas de criminalidade organizada que operavam na região”. A notícia repercute intensamente, dada a influência e o alcance transnacional do Tren de Aragua.

A Ascensão de Niño Guerrero: De Maracay ao Comando Prisional

Nascido na cidade de Maracay, a cerca de 100 km de Caracas, a trajetória criminosa de Héctor Rusthenford Guerrero Flores começou cedo. Ainda adolescente, sem ter concluído o ensino médio, ele já se envolvia em atividades ilícitas. Em 2010, seu nome já era associado a uma série de crimes graves, incluindo roubos, assassinatos e sequestros. Sua primeira prisão ocorreu na penitenciária de Tocorón, no estado de Aragua. Embora tenha conseguido fugir, foi recapturado apenas dois anos depois, em 2012.

Foi dentro dos muros de Tocorón que Niño Guerrero consolidou seu poder e deu forma ao que viria a ser o Tren de Aragua. Ele se tornou um “pran”, termo usado no jargão criminoso venezuelano para descrever o líder absoluto de uma quadrilha, com controle total sobre a vida dentro e fora da prisão. Sua inteligência criminosa, mais do que a ferocidade, foi apontada pelo advogado e professor de criminologia Luis Izquiel como o fator chave para sua liderança e a expansão do grupo.

O Império de Luxo e Crime em Tocorón

A penitenciária de Tocorón, sob o comando de Niño Guerrero, transformou-se em uma verdadeira base de operações, marcada por um luxo surpreendente. O líder vivia em uma casa de dois andares dentro do presídio, onde recebia visitas e orquestrava as ações de sua organização. A estrutura interna da prisão, conforme documentado pela autora Ronna Rísquez em seu livro “El Tren de Aragua: la banda que revolucionó el crimen organizado en América Latina”, incluía piscina, campo de beisebol, discoteca, restaurantes e até um zoológico. Esse ambiente surreal permitia a Guerrero impor sua lei, controlar armas e movimentar grandes somas de dinheiro, enquanto coordenava crimes atrozes.

O Tren de Aragua, fundado em 2014, rapidamente transcendeu as fronteiras venezuelanas. Seus tentáculos se estenderam por pelo menos oito países sul-americanos, incluindo Colômbia, Chile, Equador, Peru e Bolívia. A organização se envolveu em uma vasta gama de atividades criminosas, desde extorsão e sequestro até tráfico de drogas e pessoas, tornando-se uma ameaça significativa para a segurança regional. Em 2025, o governo Trump classificou o Tren de Aragua como uma “organização terrorista”, sublinhando a gravidade de suas ações e seu impacto.

A Fuga e a Caçada Internacional

A hegemonia de Niño Guerrero em Tocorón chegou ao fim em 2023, quando o regime venezuelano lançou uma série de operações para desmantelar o poder dos “pranes” nas prisões. Guerrero conseguiu escapar da penitenciária, tornando-se um dos criminosos mais procurados da América Latina. A caçada por ele ganhou contornos internacionais, com os Estados Unidos oferecendo uma recompensa de US$ 5 milhões (equivalente a R$ 25,4 milhões) por qualquer informação que levasse à sua captura.

Em 2025, um tribunal de Nova York denunciou Niño Guerrero, juntamente com outros 69 supostos membros do Tren de Aragua, por ter ordenado, dirigido e facilitado atos de terrorismo e violência em território americano. Essa acusação demonstra a amplitude da influência do grupo e a seriedade com que as autoridades internacionais encaravam a ameaça representada por Guerrero.

O Desfecho da Operação e os Próximos Passos

O paradeiro de Niño Guerrero permaneceu um mistério até a recente operação. O vídeo de 10 segundos divulgado por Donald Trump nas redes sociais, mostrando uma vista aérea de uma construção cercada por vegetação antes de uma explosão e uma grande nuvem de fumaça, ilustra a intensidade da ação. A neutralização de Guerrero no estado de Bolívar, uma rica região mineradora, é vista como um golpe significativo contra o Tren de Aragua, especialmente por se tratar de um líder com comando vertical.

Para especialistas como Luis Izquiel, a morte de Guerrero é uma “excelente notícia” para os países afetados pela atuação do Tren de Aragua. No entanto, a organização, embora abalada, possui uma estrutura complexa. Os Estados Unidos já identificaram possíveis sucessores, como Johan Petrica, apontado como a conexão do grupo em Bolívar, e Juancho, um ex-capataz de minas que ascendeu à posição de “pran”. Ambos operavam em La Claritas, área de importantes jazidas de ouro, onde o governo venezuelano mobilizou uma grande operação militar recentemente. A luta contra o crime organizado transnacional, portanto, continua, mas com um de seus principais símbolos fora de cena.

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