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Escassez de progesterona nos EUA reflete alta na demanda por terapia hormonal

Saúde

O impacto da mudança regulatória na oferta de hormônios

O mercado farmacêutico dos Estados Unidos enfrenta um desafio crescente com o desabastecimento de progesterona, um hormônio essencial utilizado em tratamentos de fertilidade e na terapia de reposição hormonal (TRH) para mulheres na menopausa. A escassez, que já afetava os adesivos de estrogênio, agora se estende às versões orais da progesterona, gerando preocupação entre pacientes e profissionais de saúde em todo o país.

Este cenário de oferta restrita ocorre após uma mudança significativa na postura da FDA (Food and Drug Administration) no final de 2025. A agência reguladora removeu um alerta de segurança de longa data que pesava sobre diversas terapias hormonais. A medida, somada a um novo posicionamento de especialistas em saúde da mulher nas redes sociais, impulsionou a confiança médica e o interesse das pacientes, resultando em uma busca sem precedentes por esses tratamentos.

Crescimento expressivo nas prescrições

Dados da empresa de análise de saúde Truveta, que monitora prontuários eletrônicos de mais de 130 milhões de pacientes em todos os 50 estados americanos, revelam a dimensão do fenômeno. Desde janeiro de 2021, as prescrições de terapias contendo progesterona para mulheres com 45 anos ou mais triplicaram. Em maio de 2026, a taxa de prescrição atingiu cerca de 12 mulheres por mil, um salto impulsionado, em parte, pela atualização das diretrizes da bula pela FDA, que gerou um aumento de 19% na procura.

A progesterona desempenha um papel clínico fundamental, sendo frequentemente prescrita em conjunto com o estrogênio para mitigar sintomas severos da menopausa, como ondas de calor e alterações de humor, além de atuar na prevenção da osteoporose e reduzir o risco de câncer uterino. A dificuldade em obter o medicamento tem levado pacientes a enfrentar racionamentos em farmácias, recebendo apenas doses parciais de suas prescrições habituais.

Desafios na cadeia de suprimentos e o papel das farmácias

Grandes redes, como a CVS Health, confirmaram que os fabricantes não têm conseguido suprir a demanda crescente há vários meses. Embora empresas como a Amneal Pharmaceuticals tenham anunciado esforços para ampliar a capacidade de fabricação em suas instalações, o mercado permanece sob pressão. A Sociedade Americana de Farmacêuticos de Sistemas de Saúde (ASHP) já incluiu diversos produtos de progesterona oral em seu banco de dados oficial de escassez.

Diante da falta do produto comercial, muitos profissionais de saúde têm recorrido às farmácias de manipulação. No entanto, essa alternativa traz consigo alertas importantes. Especialistas, como a médica Gillian Goddard, da NYU Grossman School of Medicine, advertem que produtos manipulados não passam pelo mesmo rigoroso processo de aprovação da FDA. Existe o risco de dosagens imprecisas, o que pode resultar em complicações de saúde e na necessidade de exames adicionais, como biópsias e ultrassons, elevando os custos e os riscos para as pacientes.

Perspectivas e acompanhamento

O Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA, responsável pela supervisão da FDA, informou que está em contato com os fabricantes para estabilizar a oferta. Enquanto a situação não se normaliza, a recomendação médica é de cautela e busca por alternativas terapêuticas, como adesivos combinados ou dispositivos intrauterinos (DIUs) liberadores de progestina, que podem reduzir a dependência de uma única formulação oral.

O Diário Global segue acompanhando os desdobramentos desta crise de abastecimento e seu impacto na saúde pública internacional. Para manter-se informado sobre as atualizações deste e de outros temas relevantes que moldam o cenário global, continue acompanhando nossas reportagens diárias, pautadas pelo compromisso com a precisão e a transparência informativa.

Para mais detalhes sobre a situação do mercado farmacêutico, consulte o portal oficial da FDA.

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