
A reforma milionária do espelho d’água do Memorial Lincoln, em Washington, D.C., encomendada pelo então presidente Donald Trump, enfrenta críticas e problemas menos de duas semanas após sua conclusão. A pintura azul do fundo da piscina já apresenta descascamento e proliferação de algas, transformando a água em um tom esverdeado, longe do azul-escuro prometido e desejado. A situação levanta questionamentos sobre a qualidade da obra e a gestão dos recursos públicos em um dos cartões-postais mais importantes dos Estados Unidos.
Falhas Prematuras na Obra do Memorial Lincoln
A cena de tinta azul se soltando e algas dominando a superfície da água foi constatada a partir de 18 de junho de 2026, apenas doze dias depois que o presidente Trump anunciou a finalização do projeto. A piscina, um dos pontos turísticos mais emblemáticos da capital americana e parte integrante do National Mall, havia sido esvaziada e restaurada ao longo do ano. A expectativa era de um espelho d’água impecável, refletindo a grandiosidade dos monumentos circundantes, mas a realidade se mostrou diferente. Trabalhadores já haviam iniciado a aplicação de peróxido de hidrogênio em 16 de junho para tentar combater as algas, sem sucesso aparente em conter o problema da pintura que se desprendia.
Detalhes da Contratação e Visão de Trump para a Capital
A restauração do espelho d’água foi realizada por meio de um contrato sem licitação, no valor de US$ 14,7 milhões (equivalente a cerca de R$ 75,6 milhões), como parte de um ambicioso plano de Trump para remodelar Washington D.C. O presidente havia expressado anteriormente sua insatisfação com a cor da água da piscina, o que motivou a intervenção. A empresa responsável pelas reformas, Atlantic Industrial Coatings, sediada na Virgínia, não se manifestou sobre as falhas, assim como o Serviço Nacional de Parques, que administra o National Mall e é responsável pela manutenção do local. A ausência de um processo licitatório para uma obra de tal magnitude e visibilidade tem sido um dos pontos mais criticados.
Repercussão e Críticas à Gestão de Projetos
A rápida deterioração da obra gerou descontentamento entre os visitantes e a população. Robert Dale, de Edwards, Colorado, expressou sua frustração ao observar a paisagem: “Quero meu dinheiro de volta depois de ver isso. Acho que nossos recursos poderiam ser muito melhor utilizados em outro lugar. Acho que esse espelho d’água era lindo antes.” As críticas se somam a um histórico de acusações de que a administração Trump ignorou diretrizes de planejamento e urbanismo da capital em seus projetos. O governo, por sua vez, sempre rebateu essas críticas como ataques partidários, mas a situação atual do espelho d’água reforça as preocupações sobre a eficácia e o custo-benefício de tais iniciativas.
Outras Iniciativas Controvertidas da Administração
O projeto do espelho d’água não é o único a gerar controvérsia na gestão de Trump. Outras propostas ambiciosas incluíam a demolição da ala leste da Casa Branca para a construção de um novo salão de festas e a edificação de um enorme arco nas proximidades do Cemitério Nacional de Arlington, destinado a homenagear militares e outras figuras proeminentes dos EUA. Além disso, a decisão de aceitar um avião de US$ 400 milhões (R$ 2 bilhões) do Catar para ser adaptado como o novo Air Force One também foi alvo de questionamentos. Especialistas em segurança alertaram para a necessidade de extensas e custosas atualizações em comunicação e defesa antimísseis, que demandariam tempo e recursos consideráveis para a aeronave, levantando dúvidas sobre a priorização de gastos e a viabilidade de projetos de grande escala.
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