O Ministério da Saúde anunciou que irá expandir, ainda em 2026, a capacidade de atendimento remoto para brasileiros que enfrentam transtornos relacionados à compulsão por jogos de apostas. A medida responde a um crescimento expressivo na procura por auxílio especializado, reflexo da rápida disseminação das plataformas de apostas online no país. A estratégia será executada com o suporte da Agência Brasileira de Apoio à Gestão do Sistema Único de Saúde (AgSUS), que ficará responsável pela contratação de empresas especializadas para reforçar o suporte gratuito oferecido à população.
Investimento em saúde mental e pesquisa nacional
Para viabilizar essa expansão, o governo federal destinou um orçamento de aproximadamente R$ 70 milhões, que serão aplicados até o final deste ano. O montante faz parte de um plano mais amplo de fortalecimento da Rede de Atenção Psicossocial (Raps), que busca qualificar profissionais e facilitar o acesso ao tratamento em todo o território nacional.
Além do suporte direto, o Ministério da Saúde reservou R$ 6 milhões para a realização de uma pesquisa inédita em âmbito nacional. O estudo tem como objetivo mapear o impacto real das apostas na saúde dos brasileiros, identificando grupos de maior vulnerabilidade e os riscos associados à prática. Os dados coletados servirão de base para o desenho de políticas públicas de prevenção mais eficazes e direcionadas.
Financiamento através da destinação social das bets
O custeio dessas ações conta com o respaldo da legislação vigente. Parte dos recursos provém dos R$ 45,7 milhões arrecadados em 2025 através da destinação social das empresas de apostas. Conforme a Lei nº 14.790, de 2023, 1% do Produto da Arrecadação de tributos sobre o setor é obrigatoriamente revertido para medidas de prevenção e mitigação de danos sociais.
Embora o Ministério da Saúde não consiga isolar o custo exato do atendimento a jogadores compulsivos — dado que o serviço está integrado à rede de média e alta complexidade da Raps, que demandou cerca de R$ 2,5 bilhões em 2025 —, a pasta reforça que a destinação social atua como uma fonte complementar essencial ao orçamento próprio da saúde.
Como buscar auxílio no sistema público
O acesso ao suporte para quem lida com o vício em apostas é realizado de forma centralizada pelo aplicativo Meu SUS Digital. Após o cadastro, o usuário pode utilizar ferramentas de autoteste validadas por especialistas. Caso o resultado indique risco moderado ou elevado, o paciente é encaminhado automaticamente para o teleatendimento. Para casos de menor risco, a orientação é buscar atendimento presencial em Centros de Atenção Psicossocial (Caps) ou Unidades Básicas de Saúde (UBS).
A Ouvidoria do SUS, por meio do número 136, também oferece suporte e orientações, mantendo o sigilo das informações conforme a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). A iniciativa é um desdobramento do serviço inaugurado em março de 2026, em parceria com o Hospital Sírio-Libanês, que já contabiliza quase 7 mil usuários cadastrados.
Cenário de alerta e medidas de controle
A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica o transtorno do jogo como uma condição prejudicial à saúde mental, frequentemente associada a quadros de depressão, ansiedade e aumento do risco de suicídio. No Brasil, os dados são alarmantes: entre janeiro de 2018 e maio de 2025, o número de atendimentos no SUS relacionados ao jogo patológico cresceu 104%.
O governo federal tem buscado conter o avanço do problema por diversas frentes. Além do teleatendimento, foi lançada em dezembro de 2025 a Plataforma Centralizada de Autoexclusão, que já permitiu que mais de meio milhão de pessoas bloqueassem o acesso a sites de apostas. Recentemente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou o decreto nº 13.033, que endurece o combate ao mercado ilegal, permitindo que recursos confiscados de bets irregulares sejam revertidos para a segurança pública.
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