© Paulo Pinto/Agência Brasil

Milhares marcham em São Paulo pela legalização da maconha e criticam criminalização

Saúde

Dezenas de milhares de pessoas tomaram a Avenida Paulista, em São Paulo, na tarde de 21 de junho de 2026, para a 18ª Marcha da Maconha. O ato, que partiu da frente do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp), teve como principal bandeira a exigência pela legalização da maconha no país, com manifestantes criticando veementemente os efeitos da criminalização da planta.

A mobilização anual se consolidou como um importante espaço para o debate público sobre a cannabis, reunindo apoiadores, ativistas e diversas organizações engajadas na discussão sobre a regulamentação. Os participantes destacaram que a proibição atual não apenas sobrecarrega o sistema prisional brasileiro, mas também perpetua o preconceito contra o uso medicinal e terapêutico da planta, que já beneficia pacientes, incluindo crianças sob prescrição médica.

O grito pela legalização e os impactos da criminalização

A criminalização da maconha no Brasil tem sido alvo de crescentes críticas por seus impactos sociais e econômicos. Durante a marcha, os manifestantes apontaram que a política proibicionista alimenta o tráfico, a violência e a superlotação carcerária, afetando desproporcionalmente populações vulneráveis. A pauta da legalização da maconha é vista como uma medida essencial para desmantelar o poder do crime organizado e permitir que o Estado regule e tribute a produção e comercialização da planta.

Além das questões de segurança pública, o movimento enfatiza a necessidade de desmistificar a cannabis, especialmente no que tange ao seu potencial terapêutico. O preconceito, segundo os ativistas, dificulta o acesso a tratamentos baseados em canabinoides, mesmo para aqueles com indicação médica e que poderiam ter sua qualidade de vida significativamente melhorada. A marcha serve como um megafone para essas vozes, buscando sensibilizar a sociedade e os legisladores para uma mudança de paradigma.

Diversidade e engajamento na Avenida Paulista

A Avenida Paulista se transformou em um caldeirão de vozes e cores, com camisetas e cartazes que denunciavam as restrições aos medicamentos e traziam mensagens impactantes. Um dos lemas que ecoou foi “Maconha não mata, mas o feminicídio, sim”, conectando a pauta da legalização a outras discussões sociais urgentes. O perfil dos participantes da marcha era notavelmente diverso, abrangendo desde idosos e pais com seus filhos até jovens adultos, demonstrando a transversalidade do tema na sociedade brasileira.

A professora de educação infantil Stephanie Oliveira, que participou pela primeira vez ao lado do namorado, exemplifica o engajamento pessoal por trás da causa. Ela relatou que sua mãe, de 47 anos, faz uso de cannabis medicinal para auxiliar na regulação do sono e no alívio de dores nas costas. Stephanie inicialmente hesitou em compartilhar sua participação nas redes sociais, temendo a reação de colegas de trabalho. Contudo, decidiu não esconder seu apoio, compreendendo que o movimento pela legalização é uma discussão fundamental sobre direitos e liberdade individual.

“Não é um assunto tão aberto e eu não converso muito sobre isso na escola com as minhas colegas de trabalho, sendo que a maioria me segue no Instagram. Cheguei a pensar se deveria postar, mas considero o movimento importante. Vou publicar independentemente de julgamentos, porque é uma causa que eu apoio, mesmo não fumando”, afirmou Stephanie, ressaltando o desafio de romper o estigma social.

O cenário da cannabis medicinal e os desafios da regulamentação

O mercado da cannabis medicinal no Brasil tem mostrado um crescimento, ainda que lento e permeado por barreiras. De acordo com o anuário da Kaya Mind, principal organização brasileira dedicada à sistematização e divulgação de dados sobre o segmento, atualmente cerca de 50 mil pessoas no país declaram se tratar com produtos à base da cannabis sativa. Este número, embora crescente, ainda é considerado baixo frente ao potencial de pacientes que poderiam se beneficiar.

A publicação da Kaya Mind, financiada pela Gravital Clínica Canábica e pela Cannect, destaca que a falta de aceitação da planta por grande parte da sociedade é um dos principais entraves para a sua regulamentação. Essa resistência impede o avanço das discussões e mantém o acesso aos itens canábicos restrito, principalmente, a pessoas com alto poder aquisitivo, que conseguem importar os produtos. A burocracia e os custos elevados criam uma barreira significativa para a maioria da população.

Um levantamento da Bliss Data 2026 também aponta que mulheres entre 45 e 64 anos são o principal grupo usuário de cannabis medicinal no país, indicando um perfil específico de pacientes que buscam alívio para diversas condições de saúde. Embora a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) tenha aprovado o cultivo de cannabis por empresas em janeiro de 2026, ampliando o acesso a produtos regulamentados, a demanda por uma legalização mais abrangente e menos restritiva continua a ser a principal reivindicação dos manifestantes.

A 18ª Marcha da Maconha em São Paulo reforça a persistência de um debate complexo e multifacetado, que envolve saúde pública, direitos individuais, justiça social e economia. O Diário Global continuará acompanhando os desdobramentos dessa discussão e de outros temas relevantes para a sociedade. Para se manter informado com análises aprofundadas e notícias contextualizadas, siga nosso portal e explore a diversidade de conteúdos que preparamos para você.

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