O deputado estadual Eduardo Suplicy (PT-SP) celebrou seus 85 anos neste domingo (21) com uma série de eventos que refletem sua trajetória política e seu engajamento em causas sociais. As comemorações, que se estenderam por diferentes pontos da capital paulista, uniram momentos de fé, ativismo e a defesa de pautas progressistas, reafirmando a figura multifacetada do parlamentar.
A jornada festiva teve início na manhã de domingo com uma missa especial, celebrada pelo renomado Padre Júlio Lancellotti. O ato religioso ocorreu na Capela São Judas Tadeu, localizada no campus da Universidade São Judas, no bairro da Mooca, zona leste de São Paulo. A presença de Lancellotti, conhecido por sua atuação incisiva em defesa dos mais vulneráveis, adicionou um tom de reflexão e crítica social às celebrações.
A voz crítica de Padre Lancellotti na celebração
Durante a homilia, Padre Lancellotti não poupou críticas ao uso da religião para disseminar discursos de ódio, uma prática que ele associou ao fascismo. “Essa é uma característica do fascismo: utilizar o discurso religioso para dominar”, afirmou o pároco. A declaração ecoa episódios recentes de sua própria trajetória, como a suspensão de transmissões ao vivo de suas missas e a orientação para reduzir sua atividade nas redes sociais, determinadas pela Arquidiocese de São Paulo em dezembro do ano passado, sob a batuta do arcebispo dom Odilo Scherer.
O religioso também aproveitou a ocasião para cobrar das autoridades um plano eficaz de proteção para a população mais pobre diante das fortes ondas de calor previstas para a cidade. “A cidade de São Paulo não tem um bebedouro público sequer. Como é que aquele povo vai se proteger de temperaturas de 38, 40 graus?”, questionou, destacando a falta de infraestrutura básica para enfrentar desafios climáticos.
Lancellotti ainda fez menção ao falso alerta da Defesa Civil, disparado entre a noite de sexta-feira (19) e a madrugada de sábado (20). O sistema nacional emitiu dez avisos errôneos de evento extremo contendo a palavra “misantropia” para celulares em estados como São Paulo, Paraná e Distrito Federal. “A misantropia é o que move aqueles que destroem os pobres, os fracos, os pequenos. O ódio à humanidade se manifesta naqueles a quem é negada a humanidade”, pontuou o padre, conectando o incidente à indiferença social.
Engajamento na Ocupação 9 de Julho e laços sociais
Após a missa e os cumprimentos na Mooca, Eduardo Suplicy seguiu para o centro da capital, onde as celebrações continuaram com um almoço e bolo de aniversário na emblemática Ocupação 9 de Julho. A escolha do local não foi aleatória, reforçando o compromisso do deputado com os movimentos sociais e a luta por moradia digna.
O evento no espaço multicultural reuniu diversas lideranças políticas, incluindo o deputado estadual Guilherme Cortez (PSOL-SP) e o deputado federal Orlando Silva (PCdoB-SP), além de ativistas como Carmen Silva, coordenadora do MSTC (Movimento Sem Teto do Centro), e o líder religioso Pai Rodney de Oxóssi. Saudado com gritos de “muito axé”, o parlamentar discursou sobre sua trajetória e a importância dos laços afetivos.
“Quero lhes dizer que muito mais importante do que ter sido deputado federal, vereador, senador e tal, é sobretudo ter feito amizade com vocês. É uma questão de a gente poder se dar bem com as pessoas para daí lutar pelas coisas que acreditamos”, declarou Suplicy, enfatizando a dimensão humana de sua atuação política. Em sua fala, ele também criticou a geopolítica internacional, mencionando a falta de vontade de líderes como Donald Trump em buscar a paz e a não violência, em vez de recorrer à guerra e ao terror.
A Marcha da Maconha e a defesa da cannabis
As comemorações do aniversário de Eduardo Suplicy culminaram no final da tarde na Avenida Paulista, onde o deputado participou da Marcha da Maconha. Sua presença no evento reforça sua longa e consistente defesa da legalização da cannabis, especialmente para uso medicinal. Suplicy é um defensor notório da pauta, argumentando sobre os benefícios terapêuticos e a necessidade de uma política de drogas mais humanizada e menos punitiva.
A participação em eventos tão diversos – de uma missa com um padre progressista a um almoço em uma ocupação e uma marcha por legalização – ilustra a amplitude do espectro de atuação de Suplicy e sua capacidade de dialogar com diferentes setores da sociedade, sempre pautado por princípios de justiça social e direitos humanos. Sua longevidade na vida pública é marcada pela coerência em suas bandeiras, como a renda básica universal e a defesa dos mais vulneráveis.
Legado de um ativista político
A trajetória de Eduardo Suplicy é um testemunho de persistência e idealismo na política brasileira. Ao longo de décadas, ele se consolidou como uma voz singular, capaz de transitar entre o rigor acadêmico e a paixão militante. Sua celebração de 85 anos, portanto, não foi apenas um marco pessoal, mas um ato político que reiterou suas convicções e a relevância de suas causas para o debate público contemporâneo. A capacidade de Suplicy de unir diferentes movimentos e pautas sob o guarda-chuva da justiça social continua a inspirar e mobilizar.
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