O jovem atacante Rayan, de apenas 19 anos, emergiu como um dos grandes destaques da seleção brasileira na atual edição da Copa do Mundo. Sua participação foi crucial no primeiro gol da vitória por 3 a 0 sobre a Escócia, na última quarta-feira (24), pelo Grupo C, em uma partida disputada em Miami, nos Estados Unidos. O lance, que culminou na abertura do placar por Vinícius Júnior, não foi apenas um momento de brilho individual, mas também a materialização de uma exigência tática do técnico Carlo Ancelotti: a participação defensiva dos homens de frente.
A inteligência e a agilidade de Rayan foram evidentes ao desarmar o zagueiro escocês Scott McKenna na área, rolando a bola para o companheiro de ataque. Esse movimento, que pode parecer simples, reflete uma evolução notável do jogador e a adaptação a um modelo de jogo onde a pressão sem a posse de bola começa já no setor ofensivo, conforme revelado pelo próprio atleta em entrevista coletiva nesta sexta-feira (26), em Nova Jersey.
A estratégia de Ancelotti e a evolução defensiva do ataque
A filosofia de Carlo Ancelotti, um dos treinadores mais vitoriosos do futebol mundial, tem sido clara para os atacantes brasileiros: a marcação é uma responsabilidade coletiva que se inicia na linha de frente. Rayan, que atua no Bournemouth, da Inglaterra, destacou a importância dessa orientação.
“Tenho evoluído na parte defensiva desde o ano passado. Ele [Ancelotti] pede para a gente primeiro marcar e depois jogar. Essa parte é muito importante para a gente que está lá na frente, perto do gol. Trabalhando durante a semana, contra o Japão vai dar certo também”, afirmou o camisa 26, projetando o próximo desafio da seleção pelos 16 avos de final, na segunda-feira (29), às 14h (horário de Brasília), em Houston.
A capacidade de Rayan de aliar a técnica ofensiva à disciplina tática defensiva é um trunfo para a equipe, que busca o equilíbrio necessário para avançar no torneio. Questionado por um repórter japonês sobre os jogadores mais perigosos do adversário, o atacante demonstrou bom humor e foco na preparação da equipe: “Rapaz… Vou te falar que não sei o jogador mais perigoso, não [risos]. Só olhando no vídeo mesmo. Vamos trabalhar para dar nosso melhor e sairmos com a vitória.”
Rayan: quebrando recordes e fazendo história na Copa
Aos 19 anos, Rayan não apenas se consolidou como uma peça importante no esquema de Ancelotti, mas também gravou seu nome na história do futebol brasileiro. Ao entrar em campo como titular contra a Escócia, ele se tornou o jogador mais jovem a iniciar uma partida pela seleção brasileira em uma Copa do Mundo desde Marco Antônio, lateral-esquerdo da campanha do tricampeonato em 1970.
A assistência para o gol de Vinícius Júnior adicionou outro feito notável à sua lista: Rayan é o mais novo a dar um passe para gol pelo Brasil em um Mundial em 40 anos. O último a conseguir tal marca foi o atacante Müller, em 1986, coincidentemente também no México. Esses recordes sublinham não só o talento precoce do atleta, mas também a confiança depositada nele pela comissão técnica em um palco de tamanha relevância.
Apoio e reconhecimento: Diniz, Iraola e as raízes no Vasco
A trajetória de Rayan até a seleção brasileira é marcada por importantes influências. Ele atribui parte significativa de sua evolução defensiva a Fernando Diniz, com quem trabalhou no Vasco em 2025. Sob o comando do treinador, atualmente no Corinthians, Rayan foi peça fundamental na equipe cruzmaltina que chegou à final da Copa do Brasil, marcando 20 gols na temporada. Essa marca o tornou o primeiro atleta revelado no Vasco a atingir tal feito desde Edmundo, em 2008.
“O Diniz sempre vai ser um pai. Na minha parte defensiva, como todo mundo viu no jogo passado, ele me ajudou bastante nisso. Se deixar, ele me liga quase todo dia [risos]. Vou levar para sempre no coração”, declarou Rayan. O atacante também fez questão de agradecer ao espanhol Andoni Iraola, seu técnico no Bournemouth, que o ajudou a se adaptar ao futebol europeu e a alcançar o nível da seleção. “Desde que cheguei lá, ele [Iraola] conversou comigo toda semana. Falou que me ajudaria a chegar à seleção brasileira e deu certo. Um cara que me ajudou bastante e será muito feliz no Liverpool”, completou, referindo-se ao novo clube de Iraola.
Da Barreira do Vasco ao sonho do Hexa
A história de Rayan é também um testemunho de superação e orgulho de suas origens. Criado na Barreira do Vasco, comunidade vizinha ao estádio de São Januário, na zona norte do Rio de Janeiro, e filho do ex-zagueiro cruzmaltino Valkmar, o atacante não esquece de onde veio. Em um passado recente, antes da Copa do Mundo de 2022, ele estava entregando “santinhos” eleitorais, um contraste marcante com a realidade atual de destaque mundial.
“A gente sabe do sofrimento que passou lá atrás. É um sentimento de muito orgulho. Quando criança, a gente trabalha para viver esse momento. A gente sabe de onde veio e dos muitos jogadores que passaram por aqui [seleção brasileira]. Chegou o meu momento. Quero aproveitar o máximo possível, que é trazer o hexa para o Brasil”, concluiu Rayan, com a ambição de conquistar o tão sonhado hexacampeonato mundial. Sua jornada inspira e reforça a crença de que talento, dedicação e raízes fortes podem levar a patamares inimagináveis.
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