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Brasil e Argentina buscam ouro no futebol de cegos dos Jogos Parasul-americanos

Esporte

O clima de uma grande decisão de Copa do Mundo paira sobre Valledupar, na Colômbia, no último dia dos Jogos Parasul-Americanos. Nesta quarta-feira, dia 15, a partir das 18h (horário de Brasília), os olhos do continente estarão voltados para o clássico que definirá o campeão do futebol de cegos: Brasil contra Argentina. O confronto, que promete ser eletrizante, terá transmissão ao vivo pelo canal do YouTube da Señal Colômbia, a emissora pública local, permitindo que fãs de todo o mundo acompanhem cada lance dessa batalha por mais um título.

Este duelo vai além de uma simples disputa por medalhas; ele representa a continuidade de uma das maiores rivalidades esportivas do mundo, agora no cenário paralímpico. Ambas as seleções chegam à final com campanhas robustas, mas com o Brasil ostentando um impressionante histórico de invencibilidade e uma defesa impenetrável ao longo da competição, adicionando uma camada extra de expectativa para o embate.

A jornada invicta do Brasil até a decisão

A seleção brasileira de futebol de cegos demonstrou um desempenho notável nos Jogos Parasul-Americanos, construindo uma campanha quase perfeita até a grande final. A equipe verde e amarela não sofreu nenhum gol durante toda a competição, um feito que ressalta a solidez de sua defesa e a organização tática. Dos cinco jogos disputados na primeira fase, que reuniu seis países em turno único, o Brasil venceu quatro e empatou um.

Entre os triunfos, destacam-se a goleada de 5 a 0 sobre o Peru, na última segunda-feira (13), em Agustín Codazzi, cidade a cerca de 62 quilômetros de Valledupar. Antes disso, a equipe já havia superado Chile e Colômbia, ambos por 1 a 0, em partidas mais apertadas, e aplicado uma impressionante goleada de 18 a 0 sobre o Panamá na estreia. A única partida em que o Brasil não saiu com a vitória foi justamente contra a Argentina, em um empate sem gols pela terceira rodada, um prenúncio da intensidade que se espera para a final.

Uma rivalidade histórica no futebol de cegos

A disputa entre Brasil e Argentina no futebol de cegos é ainda mais intensa do que no futebol de campo convencional, se é que isso é possível. As duas nações são as únicas a terem conquistado todas as oito edições do Campeonato Mundial já realizadas, consolidando-se como as maiores potências da modalidade. Das finais mundiais, cinco foram protagonizadas por esses dois gigantes. O Brasil levou a melhor em quatro delas (1998, 2000, 2014 e 2018), enquanto a Argentina venceu em 2006.

Com cinco títulos mundiais, a seleção verde e amarela é a maior vencedora da história do torneio, tendo conquistado seu último troféu em 2018, em Madri (Espanha), justamente contra os hermanos. No entanto, os argentinos são os atuais campeões mundiais, tendo vencido a edição de 2023, em Birmingham (Reino Unido), após eliminar o Brasil na semifinal e superar a China na decisão.

Os confrontos recentes entre as duas seleções também adicionam tempero à rivalidade. Antes dos Jogos Parasul-Americanos, Brasil e Argentina se enfrentaram na semifinal da Paralimpíada de Paris (França), em 2024. Após um empate sem gols no tempo normal, os argentinos levaram a melhor nos pênaltis por 4 a 3, marcando a primeira vez que os brasileiros, cinco vezes medalhistas de ouro paralímpicos, caíram na semifinal do futebol de cegos. A última final entre as equipes foi a da Copa América de 2022, em Córdoba (Argentina), onde os donos da casa também venceram nas penalidades, por 2 a 1, após outro empate sem gols no tempo regulamentar. Esses resultados recentes mostram que, apesar do domínio histórico brasileiro, a Argentina tem sido um adversário formidável nos momentos decisivos.

Para mais informações sobre o esporte paralímpico, você pode consultar a Agência Brasil.

Brasil brilha no quadro de medalhas dos Jogos Parasul-Americanos

Enquanto a final do futebol de cegos se prepara para coroar um campeão, a delegação brasileira celebra uma campanha espetacular nos Jogos Parasul-Americanos como um todo. A última segunda-feira foi o dia mais produtivo para o Brasil em termos de medalhas, com um total de 41 pódios, incluindo 13 ouros, 17 pratas e 11 bronzes.

Até o final da segunda-feira, a delegação verde e amarela acumulava um impressionante total de 161 medalhas: 70 douradas, 57 prateadas e 34 bronzeadas. Essa performance coloca o Brasil confortavelmente na liderança do quadro de medalhas, com 21 ouros a mais que a anfitriã Colômbia, que ocupa a segunda posição. A Argentina, com 21 ouros, e a Venezuela, com 16, também demonstraram força, ultrapassando o Chile no ranking.

O atletismo foi a modalidade que mais contribuiu para o sucesso brasileiro na segunda-feira, com 19 medalhas (seis de ouro, sete de prata e seis de bronze) nas provas de pista e campo. Destaque para a dobradinha feminina nos 400 metros da classe T12 (baixa visão), com a vitória da capixaba Lorraine Aguiar e a prata da rondoniense Ketyla Teodoro. Na natação, que rendeu 14 medalhas ao Brasil no dia, houve outra dobradinha nos 100 metros livre da classe S14 (deficiência intelectual), com ouro para a mineira Ana Karolina Soares e prata para a paulista Stephanie Ariodante.

A bocha também trouxe glórias, com dois ouros no feminino: a cearense Clarice Sobreira na classe BC2 e a paulista Débora Bargas na classe BC3. No tiro com arco, a parceria formada pela paranaense Juliana da Silva e pelo cearense Eugênio Franco, o representante brasileiro mais velho nos Jogos de Paris aos 64 anos, conquistou o ouro na disputa por equipes mistas da classe W1. Esses resultados demonstram a amplitude e a excelência do esporte paralímpico brasileiro.

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