© Carolina Curi/Agência Senado

Comissão do Senado adia votação de política para minerais críticos e estratégicos

Politica

A Comissão de Infraestrutura do Senado Federal adiou, nesta terça-feira (14), a votação do Projeto de Lei 4443/2025, que visa instituir a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. A decisão de postergar a análise do relatório, apresentado pelo senador Wilder Morais (PL-GO), ocorreu após um pedido de vista coletiva, liderado pelo senador Rogério Carvalho (PT-SE). A medida, comum no rito legislativo, permite que os parlamentares tenham mais tempo para analisar o texto antes de proferir seus votos, refletindo a complexidade e a importância estratégica do tema para o futuro econômico e tecnológico do país.

A pauta, que trata de recursos minerais vitais para a transição energética, a indústria de alta tecnologia e a segurança nacional, será reagendada pela presidência da comissão. O adiamento sublinha a necessidade de um debate aprofundado sobre as diretrizes que nortearão a exploração, o beneficiamento e a industrialização desses minerais, que incluem desde terras raras até elementos como nióbio, grafita e níquel, essenciais para diversos setores da economia global.

O Projeto de Lei 4443/2025 e seus objetivos

O Projeto de Lei 4443/2025 propõe um arcabouço legal abrangente para os minerais críticos e estratégicos, visando organizar e impulsionar o setor no Brasil. Entre as principais propostas do relatório, destacam-se a criação de um Conselho Nacional para a Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos e um Cadastro Nacional de Projetos de Minerais Críticos e Estratégicos. Essas ferramentas são concebidas para conferir “unidade, coordenação e previsibilidade à política pública”, conforme apontado no parecer do relator.

A iniciativa busca não apenas mapear e regular a exploração desses recursos, mas também fomentar a cadeia de valor, desde a pesquisa e desenvolvimento até a industrialização. O objetivo é posicionar o Brasil de forma mais competitiva no cenário global, aproveitando suas vastas reservas para atender à crescente demanda por esses insumos em tecnologias emergentes, como baterias de veículos elétricos, componentes eletrônicos avançados e equipamentos de energia renovável.

Mecanismos de financiamento e fomento à inovação

Para viabilizar os projetos e a infraestrutura necessária, o PL 4443/2025 sugere a criação do Fundo Garantidor da Atividade Mineral (FGAM). Este fundo não operaria com empréstimos diretos, mas sim concederia garantias, mitigando os riscos para investidores e atraindo capital para o setor, em um modelo similar ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC) do sistema financeiro.

Além disso, a proposta prevê a utilização de fundos já existentes, como o Fundo Nacional sobre Mudança do Clima (FNMC), os Fundos de Desenvolvimento da Amazônia (FDA), do Centro-Oeste (FDCO) e do Nordeste (FDNE), e o Fundo Garantidor de Infraestrutura (FGIE). Esses recursos poderiam ser direcionados para financiar projetos de infraestrutura diretamente ligados aos minerais críticos e estratégicos, garantindo o suporte necessário para o desenvolvimento do setor.

Outro pilar fundamental do projeto é a criação da Rede Nacional de Pesquisa, Desenvolvimento Tecnológico e Formação Profissional (RN-MCE). Essa rede integraria universidades, startups e instituições científicas e tecnológicas, com o propósito de desenvolver novas tecnologias, formar mão de obra especializada e coordenar projetos de inovação mineral, fortalecendo a base de conhecimento e a capacidade tecnológica do país.

A relevância geopolítica e as reservas brasileiras

A discussão sobre os minerais críticos ganha contornos de urgência global, dada a sua importância para a segurança econômica e tecnológica das nações. O Brasil, com sua vasta riqueza mineral, possui um papel estratégico nesse cenário. A maior parte das terras raras no país está concentrada em estados como Minas Gerais, Goiás, Amazonas, Bahia e Sergipe, que abrigam depósitos com significativo potencial econômico.

O país se destaca mundialmente por suas reservas de diversos minerais considerados críticos. É o maior detentor de reservas de nióbio do mundo, com 94% do total global, somando 16 milhões de toneladas. Além disso, ocupa a segunda posição no ranking global de reservas de grafita (26%, com 74 milhões de toneladas) e a terceira em reservas de níquel (12%, com 16 milhões de toneladas). Essa abundância confere ao Brasil uma posição privilegiada e uma responsabilidade estratégica na cadeia de suprimentos global desses recursos essenciais.

O rito legislativo e os próximos passos da proposta

A decisão da Comissão de Infraestrutura sobre o Projeto de Lei 4443/2025 é considerada terminativa. Isso significa que, uma vez aprovado na comissão, o texto segue diretamente para a Câmara dos Deputados, sem a necessidade de passar pelo Plenário do Senado. Esse rito agiliza o processo legislativo, mas também intensifica a importância do debate e da análise detalhada em nível de comissão, onde as últimas alterações e consensos são buscados antes do envio para a outra casa legislativa.

O adiamento da votação reflete a cautela dos senadores diante de um tema tão relevante, cujas implicações podem moldar o futuro da mineração e da indústria brasileira por décadas. A expectativa é que, após o período de vista, o projeto retorne à pauta para uma nova rodada de discussões e, eventualmente, sua votação, pavimentando o caminho para uma política nacional robusta e alinhada aos desafios e oportunidades do século XXI.

Para continuar acompanhando os desdobramentos desta e de outras notícias relevantes sobre política, economia e tecnologia, mantenha-se informado com o Diário Global. Nosso compromisso é trazer a você informação de qualidade, contextualizada e aprofundada, para que você esteja sempre à frente dos fatos que impactam o Brasil e o mundo.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *