Autora pacifista americana defende fim da Otan em 1991 e critica militarismo

Autora pacifista americana defende fim da Otan em 1991 e critica militarismo

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A escritora e ativista pacifista americana Medea Benjamin, cofundadora da organização CodePink, trouxe à tona um debate crucial sobre o papel da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) no cenário geopolítico atual. Em uma entrevista concedida à Folha, a autora, que estará no Brasil em agosto de 2026 para a Festa Literária Pirata das Editoras Independentes (Flipei), defendeu que a aliança militar deveria ter sido dissolvida em 1991, logo após o fim da União Soviética, por ter perdido sua razão de existir. Segundo Benjamin, a Otan, ao invés de se desmobilizar, seguiu um caminho contrário e hoje se encaminha para um processo de esgotamento.

Com 73 anos e uma trajetória marcada por críticas contundentes às intervenções militares de Washington, Medea Benjamin é uma voz proeminente no movimento pacifista dos Estados Unidos. Sua vinda ao Brasil visa o lançamento de dois de seus livros, “Otan: o que você precisa saber” e “Por Dentro do Irã, A verdadeira história política da República Islâmica”, obras que aprofundam suas análises sobre política externa, direitos humanos e conflitos globais. A entrevista à Folha serviu como plataforma para a ativista expor sua visão sobre o crescente militarismo que tem pautado o governo republicano de Donald Trump, alertando para os perigos de uma escalada de tensões internacionais.

Otan: uma aliança com prazo de validade vencido?

A principal tese de Medea Benjamin sobre a Otan reside na ideia de que a organização, criada em 1949 para conter a expansão soviética durante a Guerra Fria, perdeu seu propósito fundamental com o colapso da URSS. Para a autora, a manutenção e a expansão da aliança após 1991 não apenas são desnecessárias, mas também contribuem para a instabilidade global, fomentando uma mentalidade de confronto em vez de cooperação. Ela argumenta que a Otan, em vez de garantir a segurança, tem sido um instrumento para a projeção de poder dos Estados Unidos, muitas vezes resultando em intervenções que desestabilizam regiões e geram mais conflitos.

A ativista, que fundou a CodePink durante a preparação para a Guerra do Iraque, tem sido uma crítica vocal da política externa americana por décadas. Sua perspectiva desafia a narrativa predominante sobre a necessidade da Otan, sugerindo que a aliança se tornou um anacronismo que impede o desenvolvimento de novas arquiteturas de segurança global, mais adaptadas aos desafios do século XXI. Benjamin aponta que a aliança, ao invés de promover a paz, tem alimentado um ciclo de militarização e desconfiança entre as nações.

Críticas ao militarismo e à política externa dos EUA

A análise de Benjamin se estende para uma crítica mais ampla ao militarismo crescente, especialmente sob a administração de Donald Trump. Ela observa que a pauta militarista tem dominado as discussões políticas, levando a um cenário de “guerras intermináveis” que o povo americano, segundo ela, não deseja. A autora ressalta que muitos eleitores de Trump o apoiaram justamente pela promessa de encerrar esses conflitos, e a atual escalada contradiz essa expectativa.

Além disso, Benjamin expressa preocupação com a influência global dos Estados Unidos, que ela vê em declínio, e defende uma América Latina menos dependente de Washington. Essa visão se alinha com sua defesa de uma política externa mais pacifista e menos intervencionista, que priorize a diplomacia e a cooperação multilateral em detrimento da força militar. A ativista acredita que a busca por hegemonia militar apenas gera ressentimento e resistência, tornando o mundo mais perigoso.

O cenário iraniano sob a ótica da ativista

Durante a entrevista, Medea Benjamin também abordou a complexa situação do Irã, oferecendo uma perspectiva que contraria muitas narrativas ocidentais. Ela argumenta que o regime iraniano, paradoxalmente, foi fortalecido pela guerra e pelas ameaças de intervenção externa. Segundo Benjamin, muitos iranianos que antes se opunham ao governo agora se unem para resistir à retórica agressiva do governo Trump, que chegou a falar em “varrê-los do mapa”. Essa união, impulsionada pela percepção de uma ameaça externa, teria consolidado a posição do governo interno.

A ativista critica veementemente a ideia de que bombardeios poderiam derrubar o governo iraniano, afirmando que tais ações apenas dificultam a vida da população e fortalecem a resiliência do país. Ela menciona que os iranianos vêm se preparando para uma possível guerra há décadas e demonstram estar prontos para uma longa luta. Benjamin também expressa seu espanto com grupos da diáspora iraniana, especialmente nos EUA, que apoiam a monarquia e chegam a sugerir que o povo iraniano deseja ser bombardeado. “Como é possível dizer que as pessoas querem ser bombardeadas?”, questiona, sublinhando a desconexão entre esses grupos e a realidade vivida pela população no Irã.

A autora reforça que, embora o governo iraniano estivesse enfraquecido pela morte de manifestantes em protestos anteriores ao conflito, a atual conjuntura de ameaças externas reverteu essa tendência, unindo a população em torno da defesa nacional. Sua análise oferece um contraponto importante às narrativas simplistas sobre o Irã, destacando a complexidade das dinâmicas internas e externas.

A visão de Medea Benjamin, que desafia paradigmas estabelecidos sobre segurança e política externa, convida à reflexão sobre os caminhos que as nações escolhem em um mundo cada vez mais interconectado. Para aprofundar-se em análises como esta e acompanhar os desdobramentos dos principais temas globais, continue conectado ao Diário Global. Nosso compromisso é trazer informação relevante, atual e contextualizada, oferecendo múltiplas perspectivas para um entendimento completo dos fatos.

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