O Bank Melli Iran, a maior instituição financeira do Irã, tem sido um alvo constante das sanções impostas pelos Estados Unidos há quase duas décadas. Em um cenário de escalada da guerra econômica contra Teerã, o governo norte-americano reafirmou seu compromisso em desmantelar a capacidade de operação internacional do banco, uma medida que reflete a complexa dinâmica geopolítica e as persistentes tensões entre os dois países.
As sanções, que se intensificaram ao longo dos anos, visam isolar economicamente o Irã e sufocar o financiamento de programas considerados ilícitos pelos EUA, como o desenvolvimento nuclear e de mísseis. A resiliência do Bank Melli, no entanto, levanta questões sobre a eficácia dessas medidas e a capacidade do Irã de contornar as restrições internacionais.
A longa história das sanções contra o Bank Melli
Desde 2007, o Bank Melli tem enfrentado uma série de duras penalidades financeiras. Naquela época, os Estados Unidos acusaram formalmente a instituição de financiar os programas nuclear e de mísseis do Irã. Posteriormente, a Organização das Nações Unidas (ONU) e a União Europeia também impuseram restrições, alegando que o banco utilizava empresas de fachada no exterior para financiar atividades consideradas ilícitas.
A mais recente investida veio do secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, que, em 24 de agosto, prometeu punir os países que fazem negócios com o Irã, intensificando a chamada Operação Pária Econômico. Bessent foi enfático ao exigir que “todas as agências do Bank Melli devem ser fechadas e ficar às escuras”, demonstrando a determinação de Washington em cortar os laços financeiros do banco com o sistema global.
Estratégias de sobrevivência e a rede paralela
Apesar das sucessivas ondas de sanções, o Bank Melli tem demonstrado uma notável capacidade de resistência. Sua sobrevivência é amplamente atribuída ao apoio do governo iraniano e à vasta rede de quase 3.100 agências que mantém dentro do país. Além disso, o banco possui uma presença internacional de longa data em partes do Oriente Médio, Europa e Ásia, embora essa presença tenha sido severamente limitada.
Autoridades norte-americanas acusam o Melli de criar ou utilizar empresas internacionais de fachada para movimentar recursos como parte de uma rede bancária paralela. Estima-se que essa rede movimente dezenas de bilhões de dólares anualmente, sendo crucial para o Irã contornar as sanções e financiar suas atividades militares e grupos aliados. Em janeiro, o Departamento do Tesouro dos EUA, por exemplo, apontou empresas nos Emirados Árabes Unidos e em Singapura como facilitadoras desse fluxo de dinheiro.
Impacto regional e a resposta iraniana
A pressão sobre o Bank Melli e o Irã tem gerado repercussões em diversos países. O Iraque, em 2024, revogou as licenças de operação do banco Melli sob pressão das sanções. Governos como o britânico e a União Europeia impuseram restrições tão severas que as agências locais, embora tecnicamente abertas, têm sua capacidade de movimentar dinheiro ou facilitar o comércio com o Irã drasticamente reduzida. Em Londres, por exemplo, a unidade britânica do Melli, que mantinha cerca de 100 milhões de euros em depósitos em dezembro de 2025, redirecionou seu foco para a “proteção dos ativos restantes do banco”.
Os Emirados Árabes Unidos, historicamente um centro de financiamento ilícito para o Irã, também foram impactados. O comércio entre os dois países movimentou cerca de US$ 28 bilhões em 2024. No entanto, as relações esfriaram em 2026, em meio a conflitos aéreos envolvendo os EUA e Israel. Na semana anterior à declaração de Bessent, os Emirados Árabes anunciaram a interrupção de todo o comércio e transações financeiras com o Irã, buscando acelerar a pressão econômica sobre Teerã.
Apesar da intensa pressão, o ministro das Finanças do Irã, Ali Madanizadeh, expressou confiança na capacidade do país de resistir. Em 25 de agosto, ele previu que muitos países se recusariam a aceitar as exigências de Bessent, “oficial ou extraoficialmente”. Madanizadeh afirmou à televisão estatal iraniana: “Naturalmente, nossos inimigos pretendem lançar um ataque terrorista econômico contra nós, mas também temos nossas próprias ferramentas e sabemos como jogar o jogo”.
O futuro das sanções e a economia iraniana
A estratégia de sanções dos EUA, que se estende por quase duas décadas, continua a ser um pilar da política externa americana em relação ao Irã. A capacidade do Bank Melli de se adaptar e encontrar brechas, embora diminuída, demonstra a complexidade de isolar completamente uma economia nacional. A declaração do ex-presidente Donald Trump, que menosprezou os Emirados como “uma espécie de banqueiro do Irã”, ressalta a percepção de que a rede financeira iraniana é vasta e multifacetada.
A situação do Bank Melli é um microcosmo da batalha econômica e política mais ampla entre o Irã e as potências ocidentais. Enquanto os EUA buscam apertar o cerco, o Irã promete resistir, utilizando suas próprias ferramentas para navegar pelo cenário de sanções. O desfecho dessa guerra econômica terá implicações significativas para a estabilidade regional e a economia global. Para mais detalhes sobre as sanções internacionais e seus impactos, você pode consultar o Departamento do Tesouro dos EUA.
Acompanhe o Diário Global para análises aprofundadas e as últimas notícias sobre este e outros temas que moldam o cenário internacional. Nosso compromisso é trazer informação relevante, atual e contextualizada, ajudando você a compreender os desdobramentos mais importantes do Brasil e do mundo.

