O movimento body positive: como a positividade corporal 'emagreceu' na última década

O movimento body positive: como a positividade corporal ‘emagreceu’ na última década

Saúde

Há cerca de uma década, em um cenário dominado por padrões estéticos rígidos e a busca incessante por corpos ‘perfeitos’, o movimento body positive emergiu como uma voz potente e necessária. Pregando o amor-próprio e a aceitação de todos os corpos, independentemente de sua forma física, a iniciativa ganhou rapidamente espaço e relevância nas redes sociais e na cultura global. No Brasil, o body positive atingiu seu auge entre os anos de 2019 e 2022, impulsionando campanhas de marcas e debates sobre diversidade.

Contudo, nos últimos anos, especialistas e observadores do cenário social apontam para um enfraquecimento notável do movimento. As passarelas de moda, antes um palco para a celebração da diversidade, voltaram a privilegiar o padrão, e o apoio de grandes marcas a campanhas inclusivas diminuiu. Essa mudança de rota levanta questionamentos sobre o futuro da positividade corporal e os desafios enfrentados por ativistas que, paradoxalmente, se viram criticados ao optar por jornadas de emagrecimento.

O declínio e a crise de identidade do body positive

O que antes era um grito por liberdade e autoaceitação parece ter se deparado com uma crise de identidade. O body positive, que incentivava as pessoas a se sentirem bem em sua própria pele, independentemente do peso, começou a ser interpretado por alguns como uma obrigação de permanecer em um determinado tamanho. Essa percepção gerou tensões, especialmente quando figuras proeminentes do movimento decidiram emagrecer, enfrentando uma onda de críticas e incompreensão por parte de seus seguidores.

A perda de espaço nas passarelas é um indicativo claro desse recuo. Um relatório de inclusão de tamanhos da Vogue Business, que analisou os principais desfiles da primavera e verão deste ano, revelou um cenário preocupante. O tamanho padrão, que no Brasil corresponde a 34 a 40, representou 97,1% dos looks apresentados. Já os tamanhos médios (entre 42 e 48) corresponderam a apenas 2%, e os plus size (acima de 46) a meros 0,9%. Esses números representam um dos piores índices de inclusão dos últimos anos, superando ligeiramente o levantamento do ano passado, que registrou 2% de tamanho médio e 0,3% plus size. Em 2023, a inclusão era maior, com cerca de 4,4% dos looks sendo médios ou grandes.

Ativistas sob o fogo cruzado das redes sociais

A pressão sobre os ativistas do body positive que optaram pelo emagrecimento ilustra a complexidade da pauta. Nos Estados Unidos, a influenciadora Thubten Donme, ex-modelo plus size e uma das vozes do movimento, foi alvo de críticas em 2023 após seus seguidores notarem sua perda de peso. No Brasil, casos semelhantes foram vivenciados por figuras pioneiras.

Beta Boechat, 36 anos, cofundadora do Corpo Livre – uma interpretação brasileira do movimento –, decidiu passar por uma cirurgia bariátrica. Ela justificou a decisão nas redes sociais, explicando que atingiu 220 quilos e perdeu 100% de sua mobilidade. Para Beta, a cobrança de alguns seguidores era baseada em uma

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