20.mai.2026/Reuters

Bolívia: presidente Rodrigo Paz corta salário pela metade em meio a protestos e crise

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Em um cenário de crescente instabilidade política e social, o presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, anunciou nesta segunda-feira (25) o corte de 50% em seu próprio salário e nos vencimentos de seus ministros. A medida, apresentada como um “compromisso do governo com o país”, surge em meio a uma onda de protestos e bloqueios de estradas que já dura quatro semanas e exige a renúncia do mandatário.

O anúncio foi feito durante um evento em Sucre, a capital constitucional boliviana, enquanto o país enfrenta uma grave crise econômica e social. As manifestações têm gerado sérios problemas na cadeia de abastecimento em cidades como La Paz e El Alto, onde a escassez de alimentos, combustível e medicamentos afeta mercados, hospitais e postos de gasolina, evidenciando a urgência da situação.

Bolívia em ebulição: a escalada dos protestos

A decisão de reduzir os salários da cúpula do governo reflete a intensa pressão popular que o presidente Rodrigo Paz vem enfrentando. Os manifestantes, que têm bloqueado dezenas de rodovias de acesso a La Paz, sede do governo, exigem a reversão de medidas de austeridade fiscal e ações concretas para combater o aumento do custo de vida. A inflação, que atingiu 14% em abril em comparação com o ano anterior, tem sido um dos principais combustíveis para a insatisfação pública.

Desde que assumiu o cargo em novembro, Rodrigo Paz herdou uma economia em sua pior crise em quatro décadas. Ele tem defendido os cortes de gastos e a redução dos subsídios aos combustíveis como ações indispensáveis para estabilizar as finanças públicas do país. No entanto, essas medidas têm sido recebidas com forte resistência pela população, que sente o impacto direto no seu dia a dia.

Diálogo recusado e acusações políticas

Apesar da gravidade da situação, o presidente Paz tem mantido uma postura firme contra o que ele classifica como “minoria radical” que utiliza a violência. “Uma minoria não pode governar, uma minoria não pode nos abusar e faremos cumprir a Constituição com firmeza”, declarou, descartando qualquer diálogo com os grupos mais intransigentes.

O governo boliviano, por meio de seu ministro das Relações Exteriores, Fernando Aramayo, chegou a afirmar durante uma sessão da Organização dos Estados Americanos (OEA) na última quarta-feira (20) que os protestos visam alterar a “ordem democrática e constitucional”. Além disso, as autoridades acusam o ex-presidente socialista Evo Morales de orquestrar os movimentos, alegando que ele estaria foragido da justiça por um caso de suposto tráfico de uma menor de idade.

Cenário político e desdobramentos futuros

Em resposta às acusações e à crescente crise, Evo Morales, por sua vez, pediu neste domingo (24) que o governo convoque novas eleições. Em seu programa de rádio semanal na emissora Kawsachun Coca, ligada ao movimento cocaleiro, Morales apresentou dois caminhos para Paz: “uma decisão suicida, a militarização, ou (…) pacificação, transição e eleições em 90 dias”. A polarização entre o governo e a oposição, liderada por Morales, intensifica o clima de incerteza no país.

Como uma tentativa anterior de frear os protestos e demonstrar alguma flexibilidade, Rodrigo Paz havia anunciado na última quinta-feira (21) a troca do ministro do Trabalho, Edgar Morales, pelo advogado de origem aimara Williams Bascopé. Contudo, a medida não foi suficiente para acalmar os ânimos, culminando agora no corte salarial como uma nova tentativa de resposta à pressão popular.

A situação na Bolívia permanece volátil, com o governo buscando equilibrar a necessidade de estabilidade fiscal com a crescente insatisfação social. Acompanhe as atualizações sobre este e outros temas relevantes no Diário Global, seu portal de notícias comprometido com informação de qualidade, contextualizada e aprofundada. Para mais informações sobre a política boliviana, clique aqui.

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