As eleições de 2026 já se desenham com um cenário político inédito na história recente do Brasil. O Centrão, bloco de partidos conhecido por sua pragmática articulação política, optou por uma estratégia de “neutralidade” em relação à disputa pela Presidência da República. Em vez de alinhar-se a um candidato presidencial, as legendas que compõem o bloco direcionam suas forças e recursos para fortalecer suas bancadas no Congresso Nacional, visando garantir bilhões em verbas e maior influência legislativa.
Essa decisão marca uma ruptura com padrões históricos e reflete uma profunda reavaliação do poder no cenário político brasileiro. A lógica por trás dessa guinada estratégica é clara: o controle do Parlamento e dos vastos recursos a ele atrelados, como emendas e fundos partidários, oferece um retorno mais previsível e substancial do que o apoio a uma campanha presidencial, que pode ser incerta e custosa.
Uma Virada Histórica na Estratégia do Centrão
O termo Centrão surgiu na Assembleia Nacional Constituinte, entre 1987 e 1988, como um bloco de partidos de centro-direita que se uniram para apoiar o então presidente José Sarney e frear propostas consideradas progressistas. Desde então, a característica principal do bloco, que não é fixo em sua composição, sempre foi a de escolher um lado nas eleições presidenciais, aderindo ao vencedor mesmo que o apoio não fosse unificado no primeiro turno.
Essa tradição foi observada em diversos ciclos eleitorais: o alinhamento com os primeiros mandatos do PT de Lula (2002-2014), o apoio ao governo Temer após o impeachment de Dilma Rousseff, e a posterior migração para Jair Bolsonaro em 2018. Em 2022, embora houvesse uma fragmentação maior, partidos como PP e Republicanos se uniram à campanha de reeleição de Bolsonaro, enquanto MDB, PSD e União Brasil integraram o governo Lula após a vitória.
A neutralidade coletiva assumida para as eleições de 2026, envolvendo partidos como MDB, PP, União Brasil, Republicanos, Podemos, PSDB e Cidadania, é, portanto, inédita. Essa postura é particularmente notável no caso do PP, que esteve na oposição ao governo Lula desde 2022 e agora opta por não se vincular a nenhum candidato presidencial.
O Cálculo Financeiro por Trás da Neutralidade
Por trás dessa estratégia está um cálculo financeiro robusto. As lideranças do Centrão perceberam que a realocação de suas forças políticas para a disputa parlamentar pode render muito mais do que o investimento em uma campanha presidencial. Uma cadeira na Câmara dos Deputados, por exemplo, pode movimentar cerca de R$ 182,5 milhões ao longo de quatro anos, somando emendas individuais anuais (R$ 40,2 milhões por deputado), recursos do fundo partidário e do fundo eleitoral.
Essa cifra supera o custo da maioria das campanhas presidenciais. O PL, partido com a maior bancada na Câmara, almeja eleger 100 deputados em 2026. Se bem-sucedido, o partido movimentaria mais de R$ 18 bilhões em quatro anos apenas com as cadeiras de deputados, considerando emendas e fundos. Como aponta o cientista político Eduardo Grin, da FGV,

